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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

...

Quero escrever e não consigo. Eu, que sempre me movi nas palavras, adormeci no vazio do papel em branco e acordei no esquecimento de uma contadora de histórias.

PaperArtist_2014-10-26_15-24-54.jpeg

(Eu no lançamento do meu livro há 4 anos atrás; foto do meu primo Guilherme Pinto transformada em desenho)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Até um dia, velho amigo

Há nove anos atrás pedi que voltasses depressa para nós:

 

Perdeste-te nos dias e ficaste do outro lado da vida. Não sei se voltas.

Fico deste lado entre lágrimas e sorrisos. São lembranças dos tempos de outrora que não se repetem. Passam os anos, separam-se as gentes da terra que nos viu crescer.

Onde ficámos nós? Afectos conquistados, laços construídos, momentos partilhados deixados para trás. Abro o álbum de fotografias e sinto uma angústia quase insuportável. As lágrimas caem e a alma dói. São vidas separadas por um destino incerto, viagens marcadas para lugares diferentes.

E choro. Choro por ti e por quem te guarda no coração. Choro, porque não consigo alcançar um sinal de esperança. E morrem os dias na agonia de nada poder fazer.

Tens de voltar, tens de viver. Há tanto que ainda tens por sonhar.

Espero o teu regresso, acendo uma vela e rezo por ti. Nas minhas preces reclamo o teu nome, imploro a tua vida.

 

Mas não regressaste, ficaste no intervalo, e hoje foi o dia do último adeus. Voltaram as memórias e são tantas, tantas, tantas. Vou guardá-las junto à saudade.

Espero que possas, finalmente, descansar.

a um velho amigo

por Leonor Teixeira, a Ametista

Dança, sonho meu

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O meu sonho era dançar até sempre. O sonho da dança ritmada dos corpos, dos movimentos suavemente compassados e incessantes. Estender-me num palco de emoções corporais, soltar-me por entre uma agitação lenta dos sentidos. Elevar-me na fantasia das pulsações harmoniosas de uma dança eterna. Levitar.

Mas o destino não quis e ainda hoje choro pela ausência da dança, sonho meu.

Sonhar a dança, existir na dança, viver a dança. Perdi-a, mas continuo a sonhá-la. Não lhe pertenço, mas ela existe em mim. Deixei de vivê-la mas subsiste cá dentro, bem no fundo da minha alma.

E pela perda desta essência de mim, por este sonho que não alcancei, não sei se existo ou se existi, não sei se estou viva ou se morri.

 

(Texto criado em 21 de Abril de 2009 a partir de um poema elaborado em 3 de Novembro de 2007)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Da distância

Disseste que o Ribatejo libertava os teus sentidos mais profundos, quem sabe proibidos, e que aqui eras feliz. 

Em Lisboa passa o Almonda que te corre na alma e tu, na tua irreverência, deixas para trás o teu Tejo e voltas com um sorriso, aquele que fizeste despertar nas gentes da minha terra. Tanto de ti ficou guardado em cada lugar que passaste, pedaços teus são tão nossos também.

A distância não separa corações ao alto, a ausência não dissipa amizades construídas de momentos partilhados e agora, sempre que vens, trazes contigo o teu Tejo e levas pedaços de Almonda no teu regresso.

por Leonor Teixeira, a Ametista

Serão frente à TV

Depois de alguma ausência por motivos alheios à nossa blogosfera, venho pronunciar-me sobre o acontecimento da noite de hoje na rtp1.

Não gosto de fazer críticas destrutivas sobre o que quer que seja mas, no meu ponto de vista, há uma música que poderá (ou poderia) ser merecedora de ganhar o Festival da Canção. E é ela a número 1, interpretada por Rui David.

Sendo assim, tirando a música 'Sem medo' composta pelo nosso grande Jorge Palma, quase todas as outras canções foram uma tentativa de 'chegar aos calcanhares' de Salvador Sobral e da sua maravilhosa interpretação. Porque as restantes são, como diria, patati patatá? Enfim...

Achei o guarda-roupa e os penteados dos intérpretes de muito mau gosto, mas isso é uma opinião pessoal e gostos não se discutem. Sobre os apresentadores?, gosto muito do Pedro Fernandes mas prefiro vê-lo no Brainstorm e em relação à Filomena Cautela prefiro não me adiantar muito, porque tornar-me-ia numa pessoa grosseira. Mas a moça, quando fala, parece que vai apanhar o comboio e acha-se muito engraçada. Deve ser por ter ficado 'rainha e senhora' do 5 para a meia-noite. Faltam lá os rapazes, sinceramente.

E patati patatá. Tristeza. Bem, siga.

Nunca se repetirão interpretações como a Simone de Oliveira com 'Sol de Inverno' e 'Desfolhada Portuguesa', Tonicha com 'Menina do Alto da Serra', Paulo de Carvalho com 'E depois do Adeus', Dulce Pontes com 'Lusitana Paixão', Sara Tavares com 'Chamar a Música' e, claro, Salvador Sobral com 'Amar pelos Dois'. 

Que ganhe, então, o Rui David porque é uma música mesmo à Jorge Palma. Genuína, verdadeiramente portuguesa.

A seguir vou ver os Óscares, que não são mais do que outra 'politiquice manhosa' e, normalmente, quem ganha não é quem deveria ser o(a) verdadeiro(a) merecedor(a) da estatueta, salvo raras excepções.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

do Natal - Uma bruxa diferente

BRUXINHA.jpg

 (crédito de imagem: Nico Niemi em Pinterest)

 

Querida bruxinha,

 

Sou uma menina pobre, sem pai nem mãe, e não acredito no pai natal. Cresci com a vizinhança que me adoptou, quando perdi aqueles que me puseram no mundo, mas com a certeza de que um dia alguma arte mágica nos ofereceria dias melhores.

Estou a escrever-te esta carta com um lápis partido e por afiar, num guardanapo de papel amarrotado que encontrei sobre a mesa da cozinha, no meio dos pratos vazios que esperam pelo pão da manhã e dos copos com água do rio para cada saciar de sede.

Posso dizer-te, no entanto, que sou feliz quando brinco com as outras crianças do bairro. Jogamos à apanhada, à cabra-cega e cantamos numa roda viva de mãos dadas. Acredito, também, que neste nosso mundo de carência o amor está sempre presente e a amizade é sentimento que não morre.

Um dia falaram-me de ti. Disseram-me que vives no meio do arvoredo de um bosque onde todos têm medo de entrar, numa casinha feita de canas de madeira com móveis de verga. Contaram-me que tens um caldeirão de barro a um canto da sala e, junto à janela que te inspira nas noites de luar, guardas uma vassoura, um chapéu de bico preto, um baú com poções mágicas e uma abóbora. Sabes? Disseram-me que sabes voar.

Desde então, criei uma fantasia sobre ti e acredito que, depois do bater das doze badaladas no relógio da torre da igreja e quando a aldeia dorme, te entregas aos teus feitiços mais secretos. Depois, pões dentro de um saco de pano molhos de desejos, aqueles que vais conceder, saltas para a tua vassoura até levantares voo, tocas o céu com os dedos a sorrir e espalhas sobre os telhados dos bairros sem abrigo pozinhos de bondade misturada com pedaços de sonhos para realizar.

Queria pedir-te dois desejos. O primeiro, que me tragas um livro, apenas um, sobre histórias de encantar. Pode ser? Gostava tanto de entrar no universo dos contos coloridos, onde há castelos e florestas verde esperança, príncipes que salvam belas adormecidas e em que há sempre um final feliz. O outro desejo, que é demasiado grande, é pedir-te que me leves a ver o mar. Dizem que é azul e imenso e que chora a cantar nas madrugadas. Sei que tem ondas de espuma branca que abraçam a areia num vaivém sem fim. É verdade que o mar tem sabor a sal?

Dizem os mal-aventurados que as bruxas são más e os seus truques perversos mas, desde que ouvi o teu nome pela primeira vez, senti que as tuas artes de feiticeira são para conceder os desejos das crianças que não sabem o valor das coisas belas. Tenho uma amiguinha que partilha deste meu segredo e, tal como eu, acredita em ti.

Preferia chamar-te fada, condiz mais contigo porque falam que, por detrás dessa capa preta e debaixo do chapéu que te disfarçam, está um corpo com pele de seda, branco e frágil, e um rosto formoso como o de uma princesa. Gostava tanto de te conhecer um dia, entrar no teu mundo de magia e saltitar na tua vassoura pelo bosque.

Fada-bruxa, posso pedir-te só mais um desejo? Ensinas-me a voar?

 

Da menina que não acredita no pai natal mas crê em ti, que és uma bruxa diferente.

 

in "O Despertar dos Silêncios"

por Leonor Teixeira, a Ametista

Feliz Natal

Há dez anos atrás, aquando do meu primeiro blog, escrevi um pensamento e dediquei-o a todos os meus visitantes.

Deixo-vos, assim, o desejo que tenho vindo a demonstrar em palavras. Para além de ser dirigido aos que me lêem, é dedicado a todos os que não podem ter um Natal melhor.

 

Que os vossos desejos

venham embrulhados de saúde

e envoltos em laços de carinho.

Que vos seja permitido acreditar

na realização dos vossos sonhos,

dia após dia.

 

Feliz Natal para todos!

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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índice.jpg

comentários arrecadados

  • Ametista

    Não adianta muito, porque há quem não respeite. E ...

  • Anónimo

    Tenho o livro " Asas perdidas " de sua autoria e g...

  • Ametista

    O que se consegue fazer hoje em dia...Beijinho

  • Happy

    O desenho é fantástico!

  • Ametista

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