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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Sem pés, nem cabeça

Era um namoro que vinha de há longo tempo. Ele, sedutor e impulsivo. Ela, bem sucedida na vida e possessiva. Um dia, ela foi-lhe infiel com um amigo comum e a relação acabou ali, depois de uma cena de pancadaria entre os dois rapazes no café da praça central da cidade.

No tempo em que estiveram separados o descontrole dele era excessivo, tendo por hábito juntar-se aos amigos para conviver e beber uns copos e cuja consequência era meter-se em sarilhos. Tê-la perdido era presença constante no seu subconsciente e, sob o efeito do álcool, tornava-se rancoroso e bastante violento atacando tudo e todos os que se lhe dirigissem, fosse de que forma fosse.

À parte disso, era um excelente amigo, óptimo conversador e bastante divertido. Apesar de tudo, tomava consciência das suas atitudes nefastas tanto que, no dia a seguir aos desacatos cometidos, tinha sempre a preocupação de pedir desculpa às 'vítimas' das suas atitudes violentas.

No fim de várias imprudências por parte dele voltaram a juntar-se, quão grande era o que sentiam um pelo o outro. Mas depois da reconciliação, era rara a ocasião em que não discutissem através de palavras ofensivas. No café, no restaurante, na discoteca, fosse onde fosse, estivesse quem estivesse. No início de uma noite com os amigos tudo corria na perfeição, mas a partir do momento em que ele não largava o copo ou a garrafa, ela dava início às suas teorias repetindo sempre as mesmas frases até ele ficar insano. Interiorizava as contendas e perdia a cabeça, desaparecendo pela noite dentro até de manhã e envolvendo-se em actos de desvario.

Ela, sempre determinada, aparentava perante os amigos que as coisas iam de vento em popa, desempenhando na perfeição o papel de namorada compreensiva, mas sempre possessiva. Ele, eterno conquistador de corações alheios mas 'dedicado à sua amada', era-lhe infiel sempre que surgia uma oportunidade. Sentia, no entanto, arrependimento no dia seguinte à infidelidade cometida.

Um dia, decidiram juntar os amigos e comunicar que iam viver juntos. Eis que surgiu a decisão de ela deixar a casa dos pais e juntar-se ao homem da sua vida. Ele, habituado a ter o seu espaço e sempre boémio ao longo da sua vida, iniciou uma fase de 'homem da casa' submetido às 'ordens' da namorada. Porque, como ela própria confessou aos amigos, as tarefas domésticas não são propriamente o seu forte, por isso há que 'dividir tarefas' e, enquanto ela trabalha até altas horas da noite em diversas cidades do país, ele 'põe a casa em ordem'.

Apesar de toda esta estranha forma de viver a dois, ele sempre nutriu por ela um sentimento de apego total, doentio até, sentindo-se altamente dependente do seu amor. Ela não vive sem ele, mesmo tendo noção de que a relação que mantêm até hoje é tudo menos saudável.

 

Que amor é este, afinal, em que estão presentes a infidelidade, a discórdia, o contrasenso, a falta de confiança, a possessão, a submissão, a violência verbal e tudo o que não pode existir numa relação? Será amor o que sentem um pelo outro?

Se for é, sem dúvida, um amor sem pés nem cabeça.

 

 

(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

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