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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Nas nossas mãos

 (Palavras para uma imagem)

 

Nas nossas mãos transportamos o destino que nos foi traçado. É nas nossas mãos que moram as linhas da vida, do amor, da sorte ou do infortúnio. É nelas que reside o enigma do presente e do futuro próximo ou longínquo.

Nas nossas mãos guardamos a esperança, a vontade, um misto de querer e não querer. Com as mãos podemos mostrar a perseverança, a firmeza, a coragem.

Nas nossas mãos está a força de vencer cada batalha, cada luta diária que temos de travar. Através delas conseguimos revelar a sensibilidade, a amargura, a revolta.

Nas nossas mãos está o gesto. É com elas que podemos tocar, sentir, transformar.

É com as nossas mãos que lemos, aprendemos, labutamos. Com elas conseguimos escrever, pintar, decorar as nossas vidas.

Nas nossas mãos carregamos os sonhos, as fantasias, a magia dos segredos. Nelas guardamos o mistério do estar vivo.

Com as nossas mãos podemos unir raças, crenças, culturas. De mãos dadas podemos mudar o mundo.

 

 

(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Obrigada a todos

 

Quero agradecer aos amigos mais queridos que tenho aqui na blogosfera a força que me têm transmitido nesta fase menos boa da minha vida.

Um agradecimento especial ao meu muito querido amigo José A pelo mimo que me deixou extremamente comovida e à querida amiga Flordeliz pelo post que me dedicou. Conseguiram colocar no meu rosto um sorriso de mil cores.

Não tenho palavras para agradecer todo o carinho e apoio que fizeram chegar até mim. Obrigada pelas palavras de conforto que me têm deixado.

Maria das Quimeras Sindarin Gota de Orvalho. Como retribuir-vos a amizade demonstrada? Terem entrado na minha vida foi algo maravilhoso que me aconteceu. Estou-vos imensamente grata.

De salientar o afecto sempre presente da minha muito querida amiga Ónix e do meu grande amigo Segredo que tem estado ausente por aqui, mas nunca se esquece de mim.

Em nome do meu amigo que se encontra hospitalizado em estado grave, um agradecimento imenso pelo apoio transmitido por parte de todos os amigos que acima mencionei bem como a Idalina, Jo e Sonhandoaosquarenta.

Estão todos na minha alma.

Aproveito para referir o prémio que a Green.eyesme ofereceu e ainda não tive oportunidade de agradecer.

Obrigada também a quem vai passando no meu cantinho e me vai deixando uma palavra de apreço. Desculpem se não vos menciono a todos.

 

Bem hajam. Adoro-vos!

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Em busca da Felicidade

A busca da felicidade é, para mim, feita de momentos. Podem ser até pequenos gestos mas que me fazem sentir feliz, mesmo que por instantes apenas.

Ter um amigo e ir ao seu encontro é ir em busca de um pedaço de vida em que sou feliz. Poder abraçá-lo, beijar-lhe o rosto, rir e sorrir com ele. A amizade quando genuína consegue transmitir-me uma felicidade extrema. Os meus sentidos fazem com que não me esqueça de quem foi ou é deveras importante, independentemente se foi só por um momento. É como receber mensagens com regularidade de quem gosto de verdade e ter a certeza de que sou correspondida. As expressões de quem as envia tornam-se doces como o mais saboroso dos chocolates. Há uma ternura que transparece e que me transmite uma espécie de serenidade absoluta.

Ir em busca da felicidade é ir ao encontro de quem gosta de mim, é haver tempo para conversas de café em noites frias e risos ao redor de uma mesa de amizade em noites quentes. É um sorriso. De mim para quem goste, para mim de quem amo.

Ir em busca da felicidade é esperar por alguém de quem sinto saudade, esperançada de que as palavras venham desenhadas no seu olhar. É o irromper de um enlace dos sentidos num silêncio de gestos declarados. É embalar num abraço apetecido e respirar ao sabor de uma carícia. É elevar-me na essência de uma dança suave.

Ir em busca da felicidade é recordar com carinho quem me faz sorrir, porque as sensações da alma deixam um significado tão intenso que tudo se torna como num sonho encantado.

Ir em busca da felicidade é ir a casa da minha mãe, sentar-me à mesa numa completa união familiar, ver os gatos a brincar, ouvir as cigarras a gritar e os grilos a cantar.

Ir em busca da felicidade é sonhar. É ser criança até sempre, porque é uma fantasia que renasce, é uma bola de sabão. Ir em busca da felicidade é cheirar o mar, respirá-lo, olhá-lo, sentir a paz que me consegue transmitir. É sentir os pés na areia fresca da manhã e à beira mar nos fins de tarde.

Ir em busca da felicidade é sentir-me livre para o que me vai na alma. É ouvir aquela música que chama por mim e conseguir esquecer que o mundo existe. É dançar, porque a dança existe em mim e faz-me voar.

Ir em busca da felicidade é escrever o que sinto, porque existem sonhos que se conquistam e se perdem e assim vou declarando a minha verdade. É continuar a escrever, porque a alma não fala e eu quero partilhar o meu sentir através de palavras até então silenciadas. Porque quero deixar escrito que quando estou aqui, comigo própria e convosco, esqueço o mundo lá fora. Porque quero manifestar o meu querer, a minha vontade, os sentimentos e momentos que guardei.

Ir em busca da felicidade é escrever no meu cantinho até sempre, porque é aqui que a minha alma voa através das palavras que dançam sem voz. É o abrir o baú dos meus sentidos por entre este silêncio mágico.

Mesmo que os momentos não se repitam, fica a lembrança da beleza que vivemos. E ao recordar esses instantes de sorriso aberto é, para mim, ir em busca da felicidade.

 

(Texto escrito para a Fábrica de Histórias, construído a partir de excertos de vários textos meus)

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Volta depressa para nós

 

Perdeste-te nos dias e ficaste do outro lado da vida. Não sei se voltas.

Fico deste lado entre lágrimas e sorrisos. São lembranças dos tempos de outrora que não se repetem. Passam os anos, separam-se as gentes da terra que nos viu crescer.

Onde ficámos nós? Afectos conquistados, laços construídos, momentos partilhados deixados para trás. Abro o álbum de fotografias e sinto uma angústia quase insuportável. As lágrimas caem e a alma dói. São vidas separadas por um destino incerto, viagens marcadas para lugares diferentes.

E choro. Choro por ti e por quem te guarda no coração. Choro, porque não consigo alcançar um sinal de esperança. E morrem os dias na agonia de nada poder fazer.

Tens de voltar, tens de viver. Há tanto que ainda tens por sonhar.

Espero o teu regresso, acendo uma vela e rezo por ti. Nas minhas preces reclamo o teu nome, imploro a tua vida.

 

 

a um amigo



por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Voltar a ser criança

Querida mãe e querida avó,

 

Venho pedir-vos que me deixem ser criança até sempre.

Quero acordar de manhã, ficar nos vossos braços durante tempos infindos e receber os mimos que só vocês sabem dar.

Quando o sol brilhar, quero dar as mãos às manas e ir com elas para o quintal jogar à apanhada, ao elástico e saltar à corda.

Quero sentir o padeiro chegar e ir a correr para comer o pãozinho fresco. Sentar-me à mesa da cozinha a ver livros aos quadradinhos e, através da janela aberta de par em par, olhar para a avenida com as árvores recheadas de lilases.

Quero ver as lagartixas passarem rente aos canteiros floridos, apanhar as rosas vermelhas do roseiral, pendurar-me na nespereira e balançar-me até me cansar. Comer as laranjas e as tangerinas fresquinhas e saborosas e respirar o cheirinho da flor de laranjeira na Primavera.

À tardinha, enquanto o sol se vai escondendo lá ao fundo, quero brincar ao jogo das palavras e construir as casinhas de lego que vou inventando.

Quero que me deixem escapar para o olival acima do nosso quintal. Trepar pela figueira grande e esconder-me por entre as árvores enquanto vocês, minhas queridas mãe e avó, chamam por mim. Quero construir uma casinha no meu 'bosque'. É o cantinho onde guardo os meus segredos.

Quero brincar com os nossos gatinhos, apertá-los docemente nos meus braços e não os deixar partir.

Quero ir a pé para a escola sem medo e deixar as portas de casa abertas. Quero aprender a ler, a escrever, a desenhar, a pintar. Quero soltar gargalhadas de alegria nos intervalos e fazer uma roda de harmonia com os meninos e meninas da minha aula.

Depois da escola, quero ir com as manas e os amiguinhos à feira de Março andar no carrossel e nos carrinhos de choque, correr sem parar, cantarolar e comer algodão doce.

Nas férias grandes quero pôr a mochila às costas e, bem cedinho, caminhar saltitante até às piscinas para mergulhar, nadar e fazer golfinhos.

Quero ir à praia respirar o cheirinho do iodo, chapinhar à beira mar e construir castelos na areia até o sol se por.

Nas noites quentes de Verão quero subir ao telhado da nossa casa, sentar-me a ver as estrelas e deixar-me ficar a sentir a luz da lua.

Antes de adormecer quero que me leiam uma história de encantar, querida avó e querida mãe, e no final trocar convosco beijos de ternura.

Quero continuar a ser criança. Quero continuar na inocência, quero continuar a brincar.

 

 

(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • Ametista

  • Ametista

    Verdade... memórias que já não voltam Beijinho

  • Anónimo

    Palavras muito bem escritas, como sempre. Adorei. ...

  • Anónimo

    Ao ler-te, chorei...não consigo escrever mais nada...

  • Happy

    A saudade de pessoas a quem queremos ou quisemos b...

esconderijos do sótão

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