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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Alma Gémea

Desperto de um passado adormecido, sinto na pele um arrepio que se aproxima de mansinho e bate na minha alma docemente. Volto a fechar os olhos, vejo-te a ti e a mim e o nosso mundo ergue-se dos anos perdidos que caíram e renasce.

Vi-te chegar no regresso dos ventos por entre as folhas espalhadas pelo chão, trazidas por um Outono prestes a morrer. Os ramos das árvores tocavam o solo, lembro-me que disseste o quanto gostavas do cheiro a terra molhada e esboçaste um sorriso genuíno, aquele que dá vida ao fim de todas as coisas. Colheste a flor de laranjeira germinada no interior da tulipa vermelha que cultivámos na nossa última Primavera e enfeitaste o meu cabelo no gesto mais ternurento que alguma vez senti.

Vindas de outras estações esvoaçaram borboletas em torno de nós, pousaram nas tuas mãos devagarinho, nas tuas mãos, sim, que tremiam de saudade e foram ao encontro do meu rosto no mais belo resgate de um beijo. Amo-te, disseste, e escreveste essa palavra repetida no tronco da árvore mais robusta do bosque, desenhaste-a na sua raiz de uma forma magistral e sussurraste ao meu ouvido numa respiração suave: Fazemos parte deste bosque e esta é a nossa árvore.

Depois da chuva despontou o sol, era de um rubro tão intenso que mudou a estação e tornou-se Verão. E ali, longe do Inverno agreste que assombrava para lá do nosso bosque, alimentámo-nos dos frutos que brotaram das palavras que declamaste sob os galhos e do silêncio do poema que me ofereceste. Num abraço aquecemo-nos nas flores que desabrocharam fora de tempo, eram mais belas do que as do mês de Março. Acácias e amores-perfeitos, camélias e cravos, crisântemos e dálias, girassóis e orquídeas. Lembras-te?

E assim imortalizámos o nosso amor, transformámo-nos em pássaro, apenas num, levámos nas asas a semente de tudo o que foi nosso, a tulipa vermelha e a sua flor de laranjeira, e voámos em liberdade através dos tempos.

 

 

(Texto escrito em 18 de Dezembro de 2010, agora adaptado para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Post-Scriptum

...

 

Mais ninguém conseguirá preencher o lugar que te pertence. Adoro-te a ti.
Tua até sempre.

 

Laura

 

P.S. Fechei, há algumas horas, o envelope onde ficou guardada esta carta que escrevi em Dezembro de há dois anos. Quis pô-la na caixa de correio mas evitei, talvez porque te reencontrei ontem e senti que não são apenas aquelas as palavras que queria deixar-te. Algo me deteve porque há mais, muito mais, e é tanto o que quero dizer-te que a caneta treme na minha mão, por entre os dedos que nunca ousaram tocar-te diante das multidões.

Queria escrever-te mais uma carta, uma outra que não esta, mas prefiro acrescentar em post-scriptum o que o meu coração dita e como dança a minha alma mas, desta vez, sem falar de corações destroçados, de sentimentos desencontrados. Queria escrever-te uma carta, sim, mas diferente, construída de palavras doces e coloridas, sem mágoas nem lágrimas.

Não quero contos sobre confissões do que senti por ti, dos gritos silenciosos de um amor que durou demasiado tempo, tanto que não sei quanto. Não quero histórias que ficaram entre o partir e o ficar, sem princípio, meio e fim.

Sabes? Gostaria de falar-te de outras coisas. De sonhos, de desejos, de fantasias que foram preenchendo as horas dos meus dias.

Gostaria de falar-te da beleza que ficou por descobrir, dos passeios que ficaram por concretizar, do tanto que tivemos por inventar, das coisas mais simples da vida que deixámos por partilhar.

Queria dizer-te, até, que poderíamos ter alcançado o inatingível. Sabes que através dos sonhos tudo se torna possível? O nosso imaginário consegue chegar até onde a nossa alma nos levar. E tudo se torna tão bonito.

Posso contar-te que, juntos, já caminhámos à beira mar numa praia deserta, contemplámos o por de sol num fim de tarde de verão sentados na areia. Mergulhámos, lado a lado, numa onda branca e conseguimos tocar os mais belos corais no fundo do mar. Depois de admirarmos um mundo de mil cores onde conseguimos absorver o irrespirável, nadámos encostados um ao outro até à superfície dos oceanos. Para lá das águas cristalinas, sentimos o sol de um dia acabado de nascer que encheu de luz o nosso o rosto.

Lembras-te da nossa dança na praia? Aquela que ficou por inventar? Conseguimos ondular os nossos corpos e enlaçámo-nos numa agitação lenta dos sentidos. Em redor de nós, a melodia do mar cruzou-se com o cântico das gaivotas e, antes de partirmos, desenhámos o nosso nome na areia. Sabes? Ainda sinto o sabor a sal que ficou na nossa pele.

Juntos, percorremos estradas limpas e frescas, caminhámos de mãos dadas devagar por entre montes e vales, subimos colinas, saltámos nas pradarias. No final, descansámos abraçados debaixo de uma árvore no bosque secreto que guardou os nossos beijos. Consegues sentir o aroma das flores campestres? Tenho uma guardada nas páginas do livro que escrevi para ti.

Gostaria de falar-te do quanto acreditei que tudo poderia ser possível. Da esperança de ver-te chegar com uma rosa vermelha na mão e um brilho no olhar. Dos teus braços abertos para me levarem até ao mais alto dos rochedos e, de lá, admirar contigo a mais sublime das paisagens. Das semanas a viver-te por completo, dos meses de partilha, dos anos a teu lado com sorrisos.

Queria pegar nas palavras que te escrevi e declamar-tas num poema eterno. Queria recitar-te, num cenário de neve a cair numa noite de Dezembro, o que a minha alma viveu por nós.

Gostaria finalmente de confessar-te neste meu post-scriptum que, ao reencontrar-te, senti confiança. Era isso que queria dizer-te, mas perdi-me na fantasia das palavras e deixei-me levar pelo sonho.

Fica a última parte, a essencial e que pretendo fazer chegar até ti num manifesto impetuoso, pela injustiça angustiante do que nos foi destinado. É a declaração da coragem que sinto emergir do mais fundo do meu ser e me rasga as entranhas. Coragem para gastar a minha voz num grito e exclamar, de coração aberto, que renasceu a minha capacidade de lutar. Lutar, mas desta vez, por mim. Porque agora, mais do que nunca, quero recuperar a minha liberdade. A de ser feliz.

 

Concedes-me esse direito?

 

Laura

 

 

(Texto escrito em 9 de Dezembro de 2009, agora alterado e adaptado para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Uma bruxa diferente

Querida bruxinha,

 

Sou uma menina pobre, sem pai nem mãe, e não acredito no pai natal. Cresci com a vizinhança que me adoptou, quando perdi aqueles que me puseram no mundo, mas com a certeza de que um dia alguma arte mágica nos ofereceria dias melhores.

Estou a escrever-te esta carta com um lápis partido e por afiar, num guardanapo de papel amarrotado que encontrei sobre a mesa da cozinha, no meio dos pratos vazios que esperam pelo pão da manhã e dos copos com água do rio para cada saciar de sede.

Posso dizer-te, no entanto, que sou feliz quando brinco com as outras crianças do bairro. Jogamos à apanhada, à cabra-cega e cantamos numa roda viva de mãos dadas. Acredito, também, que neste nosso mundo de carência o amor está sempre presente e a amizade é sentimento que não morre.

Um dia falaram-me de ti. Disseram-me que vives no meio do arvoredo de um bosque onde todos têm medo de entrar, numa casinha feita de canas de madeira com móveis de verga. Contaram-me que tens um caldeirão de barro a um canto da sala e, junto à janela que te inspira nas noites de luar, guardas uma vassoura, um chapéu de bico preto, um baú com poções mágicas e uma abóbora. Sabes? Disseram-me que sabes voar.

Desde então, criei uma fantasia sobre ti e acredito que, depois do bater das doze badaladas no relógio da torre da igreja e quando a aldeia dorme, te entregas aos teus feitiços mais secretos. Depois, pões dentro de um saco de pano molhos de desejos, aqueles que vais conceder, saltas para a tua vassoura até levantares voo, tocas o céu com os dedos a sorrir e espalhas sobre os telhados dos bairros sem abrigo pozinhos de bondade misturada com pedaços de sonhos para realizar.

Queria pedir-te dois desejos. O primeiro, que me tragas um livro, apenas um, sobre histórias de encantar. Pode ser? Gostava tanto de entrar no universo dos contos coloridos, onde há castelos e florestas verde esperança, príncipes que salvam belas adormecidas e em que há sempre um final feliz. O outro desejo, que é demasiado grande, é pedir-te que me leves a ver o mar. Dizem que é azul e imenso e que chora a cantar nas madrugadas. Sei que tem ondas de espuma branca que abraçam a areia num vaivém sem fim. É verdade que o mar tem sabor a sal?

Dizem os mal-aventurados que as bruxas são más e os seus truques perversos mas, desde que ouvi o teu nome pela primeira vez, senti que as tuas artes de feiticeira são para conceder os desejos das crianças que não sabem o valor das coisas belas. Tenho uma amiguinha que partilha deste meu segredo e, tal como eu, acredita em ti.

Preferia chamar-te fada, condiz mais contigo porque falam que, por detrás dessa capa preta e debaixo do chapéu que te disfarçam, está um corpo com pele de seda, branco e frágil, e um rosto formoso como o de uma princesa. Gostava tanto de te conhecer um dia, entrar no teu mundo de magia e saltitar na tua vassoura pelo bosque.

Fada-bruxa, posso pedir-te só mais um desejo? Ensinas-me a voar?

 

Da menina que não acredita no pai natal mas crê em ti, que és uma bruxa diferente.

 

 

(História escrita para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Anjo imortal

 


 

Eu queria escrever sobre ti, tu que és imortal mas não existes e que conheço como ninguém.

Caminhas comigo de mãos dadas, beijas-me o rosto a cada mágoa e guardas-me no colo como um anjo. Tu, que vieste de outros tempos, de outras vidas, saboreaste todos os estados de alma e ressuscitaste com honra em cada era.

És tu quem me dá força para prosseguir pelas colinas, aquelas em que tropeço tantas vezes e me fazem ressurgir com um sorriso.

Tens a cabeça no lugar do coração, não sentes, não sofres, não padeces. A prudência é o teu guia, ages sem qualquer impulso que te arraste para a terra das angústias que se choram, onde se mata a sede no derramar das lágrimas.

Não sabes a razão de uma queda no abismo, esse lugar tenebroso sem saída. Moras na amplitude de um intervalo, é como a vibração celestial das pradarias sem muros nem pontes, sem portas e sem janelas, aquelas que se trancam para sempre.

Não consigo já viver sem ti, dormes no meu ombro a cada noite fria, o teu sono é como a aragem quente que sopra nos desertos. Tu, que despes a chuva quando cai e a vestes de sol, aquele que inebria o meu leito e me alimenta.

Seduzes-me na tua magia suprema, entrego-me a ti como uma cigana se rende à liberdade, saímos para a rua sob um manto branco e descalços vagueamos no silêncio das estrelas.

Não me fujas, que não sei viver sem ti, meu amparo constante que me eleva na utopia dos dias cinzentos. Leva-me contigo rumo ao arco-íris, faz de mim imortal com um beijo teu.

 

 

 

(A imagem aqui apresentada foi encontrada algures no google e sem autor referenciado. Agradeço a quem a criou que, caso a encontre por aqui, me avise para  lhe dar o devido crédito ou, se assim desejar, retirá-la-ei de imediato.)

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Uma página em branco

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(imagem retirada de: google imagens)
 

As notas de música estavam lá, escritas em pautas brancas, mas não se viam. Tudo lhe parecia oco e, ao mesmo tempo, tão cheio de cenários escurecidos pelo fim dos tempos.

As paredes eram de vidro e as prateleiras de cristal onde centenas de livros dormiam, ordenados no pó do esquecimento. A um canto do salão, um piano negro de cauda onde mãos sem dono tocavam para uma plateia de lugares vazios. Sobre as teclas, véus sem corpo faziam soar a música num murmúrio distante como que numa marcha fúnebre e, de pé, vultos sem contornos aplaudiam.

Os rostos não tinham expressão, eram insípidos, os olhos não viam e as bocas não falavam. Apenas gestos indecifráveis, dedos que tocavam os intervalos e passos que quebravam o silêncio, desfolhando páginas e páginas empalidecidas de livros adormecidos, tantos, sem letras nem palavras.

Os vultos iam saindo da sala sem tecto num alinhamento compassado e riam e sorriam em tom débil, de máscara posta, como que num baile carnavalesco.

Os acordes compostos ecoavam tilintantes e, ao fundo do salão, vislumbrava-se uma silhueta, apenas uma, envolta em folhas de papel em branco que iam caindo em marcha pelo chão, soltas pelas asas de um condor que esvoaçava na imensidão de um céu que não havia.

A silhueta procurou por todos os lados algo com que pudesse escrever mas não encontrou, queria deixar na memória dos que restassem tudo a que acabava de assistir. E quis tanto preencher as páginas vazias e construir uma história ou talvez um livro que, subitamente, ao tocar numa das folhas com avidez, sentiu um ardor que lhe rompia os dedos e viu que era tinta permanente.

E assim formou letras, desenhou palavras e não parou de escrever até se lhe ferirem as mãos. E continuou a esculpir cada imagem, cada gesto, cada detalhe, cada momento vivido naquela passagem desconhecida, mas tão soberbamente amena.

O tempo passou e ela ficou sentada no mesmo lugar, junto ao mesmo piano e à plateia de cadeiras vazias, perto dos livros esquecidos e envolvida em páginas sem enredo, onde palavras vãs se misturavam com imagens por decifrar.

E estava só, os vultos não se viam, os véus não existiam, não havia rostos nem mãos. Mas as pautas de música permaneciam sobre as teclas do piano, continuavam sem notas escritas, e os acordes voltaram a tocar soando de uma forma mágica.

Sentiu-se levitar e transportou-se para a esfera aberta que amparava o tecto rasgado do salão e o adornava, entrou na alma mais perdida que encontrou e vagueou até alcançar um ventre em gestação.

Lembra-se que acordou amarrada a um cordão umbilical que acabou por ser quebrado. Lembra-se que chorou como choram os que nascem e, até ao despertar das lágrimas dos que ainda nada sentem, entrou num mundo desigual. Tentou recordar a outra vida, um passado intransponível que ainda lhe pertencia, mas não conseguiu. As imagens surgiam-lhe turvas e obscuras, tudo era vago e sombrio.

Afinal, quem fora ela para além de nada ou de ninguém? Cinza, restos de outras almas, fragmentos de uma vida que ninguém viu acontecer?

Nunca chegou a saber se esteve lá ou se existiu, naquele lugar sinistro e misterioso, apenas lhe veio à memória uma passagem ténue e enigmática. O que mais lhe transparecia era o levitar, aquele que sentiu, como num cenário de feitiços onde o corpo se sustém no espaço e nunca cai.

E tudo não passou de uma página em branco pincelada de negro aveludado, onde marcou as palavras e as imagens que compôs e se apagaram num tempo que nunca chegou a existir, num lugar sem morada assinalada.


 

(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

I'm happy today

Hoje, disseste que me amavas.

Peguei no carro, percorri as ruas da cidade que me viu nascer numa condução serena, parei na avenida com cheiro a lilases e absorvi lentamente o seu perfume. Sentei-me num banco de jardim à beira rio, contemplei os patos que nadavam ao sabor das águas cintilantes pelos raios de um sol matinal e sorri com o encanto do momento.

Eu queria tecer palavras, as mais belas, mas não consegui soltar o meu imaginário que vagueou, frágil, pelo campo de flores por desabrochar. Os castanheiros balançaram nos passeios ao ver-me pular de alegria, acho que sentiram o pulsar desordenado dos meus sentidos e o bater frenético do meu coração.

Descalcei-me, mergulhei os pés na espuma fria que corria nos degraus junto à pérgula, baloicei nas sensações do que te sinto e refresquei a alma, enquanto nenúfares brancos e encarnados dançavam no riacho à mercê da corrente.

Depois, disse-te que esperava por ti.

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • Ametista

    Não adianta muito, porque há quem não respeite. E ...

  • Anónimo

    Tenho o livro " Asas perdidas " de sua autoria e g...

  • Ametista

    O que se consegue fazer hoje em dia...Beijinho

  • Happy

    O desenho é fantástico!

  • Ametista

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