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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Não sei quem és

 

A vida ironiza o meu fado com instintos de malvadez, obriga-me a beber desse veneno que me ofereces, mas eu afasto-me e recuso beber uma gota sequer, iria matar-me lentamente e eu não quero morrer devagar.

Não quero fazer parte da mesma história, aquela que me fez bater no fundo mas que me ajudou a subir à tona. Pareces trazer reencarnado em ti aquele que deixou no meu caminho um ponto e vírgula, pendurado num espinho escondido na rosa que um dia me deu.

Sinto-te fantasma de um passado que me dilacera a alma, consigo escutar ao longe gargalhadas que mais me parecem ser um verdadeiro acto de bruxaria.

Não, eu não vou permitir que me rasgues as entranhas, não vou deixar-me manipular por esse olhar enganador.

Quem és tu para entrares assim vindo do nada? Não sei quem és nem de onde vens, mais me pareces um qualquer estranho incoerente, contradizes-te através de atitudes impulsivas que tentas encobrir, consigo sentir uma certa obsessão que se mistura com um receio gigantesco e indecifrável na adoração que me confessas. Tento entender mas não consigo, juro que não consigo.

És astuto, envolves-me na tua teia subtilmente e eu sigo-te como um fantoche que manobras e aprisionas, como que num disfarce que vou desmascarando e fujo a tempo.

Porquê eu? Eu, que acredito nas palavras e em sorrisos. Sabes? Há sorrisos que se inventam mas o olhar não engana. Não sei o seu verdadeiro significado, ainda hoje me pergunto o que quer dizer esse olhar que umas vezes se entrega ao meu por completo, outras se distancia sorrateiramente por entre actos de cobardia.

Maldito mau presságio que me persegue, chego a crer que ele existe por bondade para que consiga detectar, enquanto é tempo, o que poderia desgraçar a minha vida.

Quero gritar mas não consigo, o grito está contido algures na minha alma que chora compulsivamente, mas as lágrimas não brotam do meu olhar que reflecte mais uma ilusão perdida, total desengano meu.

Afasto-me simplesmente, passo as noites em claro a pensar onde é que errei, pergunto ao destino a razão das incertezas, não ouço respostas mas consigo imaginar os risos sarcásticos de quem amei.


 

Texto fictício


 

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

22 comentários

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Pág. 1/3

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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  • Ametista

  • Ametista

    Verdade... memórias que já não voltam Beijinho

  • Anónimo

    Palavras muito bem escritas, como sempre. Adorei. ...

  • Anónimo

    Ao ler-te, chorei...não consigo escrever mais nada...

  • Happy

    A saudade de pessoas a quem queremos ou quisemos b...

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