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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Um dia, quando...

 

Um dia, escrevi este texto. Quase três meses depois, transformei-o em poema para participar no concurso V prémio de poesia em rede.

Hoje, está exposto no corredor do meu hospital num cantinho da revista da casa de pessoal do mesmo, da qual sou sócia e colaboradora.

Quero, agora, partilhá-lo convosco.

 

 

Um dia, quando o céu chorar e os anjos caírem
eu quero estar lá, bem perto do infinito
para apanhar uma estrela e guardá-la junto à chave
que encerrou a minha história.
Um dia, quando se calarem todas as vozes do mundo
eu quero estar lá, nos lugares que foram meus
para gritar cada palavra que inventei
para o meu último capítulo.
Um dia, quando pararem todos os relógios
e o tempo ficar suspenso
eu quero estar lá, no vazio das épocas
para suavizar o peso dos anos apressados
e a contagem dos dias mortos.
Um dia, quando se aproximarem do fim todas as coisas
eu quero estar lá, no princípio do mistério de tudo
onde se erguem as derrotas
e das ruínas se elevam vitórias.
Um dia, quando a vida se fundir no silêncio
e a morte se cruzar com o sonho
eu quero estar lá, no meio das sombras que vagueiam
para submergir nas utopias.
Um dia, quando os lobos uivarem
para lá das cidades e um corvo vier
de onde moram os poetas já sem vida
com uma carta escondida na asa assinada por mim
significa que morri.
E nesse dia, quando eu morrer,
não quero lágrimas nem luto.
Quero que as almas que ficarem do que restou da glória
me lancem em mar alto num verso branco
lá, onde segredo nenhum é desvendado
e tudo se transforma em poesia.
E ao longe, bem distante, quero escutar
o cântico de um bando de gaivotas a sobrevoar as dunas
no mais sublime sinal de liberdade.

 

 

3 de Janeiro de 2011

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

27 comentários

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Pág. 1/3

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • DyDa/Flordeliz

    Eu digo que escreves bem e que me tentaste enganar...

  • Ametista

    Foi uma falha terrível por parte da rtp. Há coisas...

  • DyDa/Flordeliz

    Não vi a final. Porquê? Não sei. Não me apeteceu.D...

  • Ametista

    Obrigada, minha querida Closet! Um brinde aos sonh...

  • Closet

    Que conforto ler-te neste final do dia chuvoso :) ...

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