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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Palavras que se prendem

 

Não sei desprender as palavras. Não sei como fazê-las voar.

A minha imaginação perde-se na turbulência dos sentidos e as asas caem.

Quero escrever, escrever sofregamente, ondular as letras e deixá-las poisar nas páginas do meu livro branco, gastas pelo tempo.

Não consigo preencher este vazio. Preciso mergulhar nos rios da memória e emergir com versos cristalinos nas mãos, no corpo e na alma.

Não sei viver sem as histórias que inventei, sem os lugares misteriosos que desenhei, sem as personagens que criei e a quem dei vida.

Preciso de bosques e florestas, de cabanas e castelos, de fadas e feiticeiros. Preciso de árvores e flores campestres, de esconderijos e labirintos, de anjos e pássaros.

Preciso do silêncio que a doçura da fantasia me transporta. Preciso de magia.

A praia está para lá da serra que olho a cada fim de tarde. Não oiço o murmúrio do mar nas madrugadas e a minha inspiração desvanece. Desmaia o brilho das estrelas, a lua não é de prata e o céu já não tem mil cores.

Escapa-se a caneta por entre os meus dedos e deixo de ver a linha do horizonte. Tremo na perda de um sol rubro que se põe.

Preciso de areia nos pés, de água salgada na pele e de ondas nos meus cabelos para libertar as palavras.

Fica uma concha pintada na baía onde cabem todos os segredos e nenhum desperta.

Há uma gaivota que geme e sussurra tempestade. Quero viajar no seu embalo, enroscar-me no seu colo com as letras que trago.

Mas morro no cais, como uma pedra da calçada que se solta com o tumulto do vento norte.

 

As palavras? Morrem comigo, bem presas à minha alma.

 

 

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

12 comentários

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por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • Ametista

  • Ametista

    Verdade... memórias que já não voltam Beijinho

  • Anónimo

    Palavras muito bem escritas, como sempre. Adorei. ...

  • Anónimo

    Ao ler-te, chorei...não consigo escrever mais nada...

  • Happy

    A saudade de pessoas a quem queremos ou quisemos b...

esconderijos do sótão

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