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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Dança, Sonho Meu

 

 

O meu sonho era dançar até sempre. O sonho da dança ritmada dos corpos, dos movimentos suavemente compassados e incessantes. Estender-me num palco de emoções corporais, soltar-me por entre uma agitação lenta dos sentidos. Elevar-me na fantasia das pulsações harmoniosas de uma dança eterna. Levitar.

Mas o destino não quis e ainda hoje choro pela ausência da dança, sonho meu.

Sonhar a dança, existir na dança, viver a dança. Perdi-a, mas continuo a sonhá-la. Não lhe pertenço, mas ela existe em mim. Deixei de vivê-la mas subsiste cá dentro, bem no fundo da minha alma.

E pela perda desta essência de mim, por este sonho que não alcancei... não sei se existo ou se existi, não sei se estou viva ou se morri...

 

 

(Texto criado a partir de um poema elaborado em 3 de Novembro de 2007)

por Leonor Teixeira, a Ametista

O meu quarto não tem tecto

 

Pinto de azul as paredes do meu quarto sem tecto. Consigo alcançar a lua que espreita envergonhada por entre as estrelas. Fecho os olhos e adormeço num sono ofegante. Há nuvens brancas que descem até ao meu leito e dançam junto do meu corpo inquieto. Sinto uma tranquilidade mágica. Há palavras sagradas que entram sem pressa e unem-se no espaço vazio. Constroem-se versos encantados que esvoaçam em meu redor. Surges do céu devagar e procuras-me suspenso no ar. Chamas por mim em silêncio e distribuis-me sorrisos escondidos. Não consigo ouvir-te, não consigo ver-te, mas sinto-te perto. Consegues encontrar-me, aninhas-me no teu colo e tocas-me num gesto de ternura. Respiras-me ao sabor de uma carícia e elevas-me num sonho teu.

Desvendo o meu segredo com um poema de afecto. É um manifesto guardado num tempo longínquo que se transforma em eco. Afastas-me numa angústia misteriosa e foges nas asas de um anjo. Perco-te no universo e vou em busca de ti. Há uma nuvem que me leva até ao firmamento. Grito o teu nome e lanço-te mensagens de saudade. Mas tu não me ouves. Voas até ao infinito e ficas do outro lado do céu que nos separa.

 

Sonhei contigo esta noite. Acordo de alma rasgada e teimo em ficar na fantasia do aconchego das almas. É um encontro que não se repete. Olho-me e estás ali, do outro lado do espelho, reflectido em mim. Mas tu não me vês.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Um novo Encontro

 

Ontem voltei a vê-lo.

Acenou sem sorrisos. Olhei para trás e não vi ninguém.

Lá fora, o sol aquecia o parque de estacionamento.

Vi-o conversar com pessoas encontradas ao acaso. Observei-o através da vidraça sem ninguém perceber. Tive vontade de correr a abraçá-lo, olhá-lo de perto, sentir o seu cheiro, sorrir com ele.

Peguei num cigarro e fui até à porta de entrada num passo apressado. Quando cheguei, estava apenas o lugar que deixou ficar. Foi tudo tão breve.

O vento soprou, uma nuvem vinda do horizonte aproximou-se e o sol ficou pálido.

Fumei o cigarro num gesto voraz e voltei para dentro.

 

Trago um grito contido bem dentro de mim.

Volto atrás no tempo e cruzam-se as imagens de nós. Ecoam as palavras ditas e as que ficaram por dizer, revejo o que fomos e o que não chegámos a ser. Torno a imaginar o que poderíamos ter sido.

Aperta a saudade mas o telefone não toca. Permaneço à espera, envolta neste silêncio que persiste em ficar.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Encontro

 

Encontrei-o ontem.

Tive vontade de abraçá-lo, mas os nossos olhares cruzaram-se e escaparam um do outro. Enquanto estava ali, tão perto de mim, contemplei-o num disfarce veloz na esperança de alcançar um sinal. Por breves instantes acreditei que aquele seria o momento. Mas a frieza aparente repetiu-se e o silêncio triunfou.

De uma luta incessante num passado recente, restou a ausência de alguém que manifestou por palavras o que deixou de demonstrar em gestos.

Ainda hoje lembro com saudade aquele fim de tarde de verão. Consigo escutar a sua voz como se fosse agora: 'Estar aqui é um sonho tornado realidade'.

Recordo o seu olhar raso de água, a lágrima que ficou por cair e me fez chorar. Vem-me à memória a história que inventámos para nós, o que deixámos por viver, a fantasia que criámos e que ficou por cumprir.

Na tentativa de esquecê-lo, sinto a magia do nosso segredo e a falta que me faz.

Encontrei-o ontem. Suspendeu-se a vida e o meu mundo ruiu.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Tudo e Nada

 

Por ti sinto tudo e o que não sei, contigo sinto tudo e sinto nada, sem ti não sinto nada e nada sei, o tudo e o nada são tudo o que não sei e o que te sinto...

Sinto-te através da lua, confidente que me escuta e compreende, que me ajuda a libertar dos meus fantasmas...

Sinto-te através do ribeiro que corre a meus pés, me dá água para matar a sede, aquela que tenho de ti...

Sinto-te através do chão que piso e me faz levitar, aquele que me deixa o teu cheiro para te respirar...

Sinto-te através daquilo que não sei, daquilo que te reconheço e não conheço, daquilo que te quero e te confesso...

Sinto-te e perco as palavras, fico muda. Olho-te e deixo de ver, fico sem luz. Suspiro-te e perco os meus sentidos...

Respiro-te, vivo-te, é o tudo e o nada, é o até sempre sentir-te...

Busco-te no teu lugar, trago-te até aqui, vivo-te por aí...

Guardo-te em cada espaço que te sinto, num sítio qualquer...

Sonho-te e caminho contigo de mãos dadas num compasso acertado...

Sento-me contigo na areia, navego contigo no barco que te inventei, no cenário de um mar que te criei...

Sinto-te e eternizo-me em ti, em tudo e em nada. E neste tudo e nada que não sei e que te sinto, perco-me em ti e perco-te a ti...

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Dança de Amor...?

 

Dançaram por instantes...

O olhar, o abraço, o beijo... pele sobre pele...

O murmúrio, as palavras brandas, a suavidade do toque...

A descoberta... a entrega... o sussurro do nome... o suspiro...

A pureza do estar junto... o silêncio...

E parou o tempo...

Emergiu a serenidade depois da despedida...

Até quando o adeus?

O adormecer a sorrir...

O despertar com a incerteza do hoje...

A espera pelo recomeço do momento... daquele que foi um momento único...

Ficou a dança inacabada das almas que se distanciaram...

E o sorriso converteu-se numa lágrima...

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Sentidos

 

Os nossos sentidos fazem com que não nos esqueçamos de quem foi para nós deveras importante. Independentemente se foi só por um momento.

As sensações da alma deixam um significado de tal forma intenso, que nos permite recordar com carinho quem nos fez sorrir...

Há pessoas que não se esquecem, mesmo que tenha sido por instantes.

Mesmo que os momentos não se repitam, fica a lembrança da beleza que vivemos...

 

Dançarias comigo só por mais um instante?

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Ausente

 

Bem... que saudades... Tenho estado ausente em palavras, mas a minha alma tem estado sempre presente...

Hoje é daqueles dias em que me sinto nostálgica, saudosista... Sem vontade de ver quem quer que seja... ficar sózinha para sempre...

 

Voar e não regressar...

 

 Encontrar serenidade através das asas de qual gaivota que sobrevoa a beira mar, elevando-me em seus cânticos ondulantes...

 

Ir e não voltar...

Ficar em silêncio...

 

   

por Leonor Teixeira, a Ametista

Infância, que Saudades!

 

São tantas as saudades da minha infância...

Quando brincava com as minhas irmãs no quintal da minha mãe...

Até de ver as lagartixas passarem rente aos canteiros eu sinto saudades.

De me pendurar na nespereira (que já não existe) do quintal de cima e comer as laranjas e as tangerinas saborosas das árvores que ainda hoje estão lá.

Que saudades de me escapar para o olival acima do nosso quintal!

Trepar pela figueira que dava acesso à 'nossa pequena floresta' e esconder-me entre as árvores quando a minha mãe e a minha avó chamavam

por mim.

Que saudades do 'meu bosque'...

Saudades de saltar ao muro de acesso à casa do meu vizinho para jogarmos à apanhada.

De tantas vezes saltar, cheguei a partir a cabeça.

Saudades das peças de teatro que eu e as minhas manas inventávamos com as nossas vizinhas. A representação era no quintal e eu era sempre o gato, claro.

É o que faz ser a irmã mais nova.  

Brincámos tanto no sótão das vizinhas às escondidas.

Saudades de saltar à corda e jogar ao elástico e à tardinha jogar ao monopólio e ao jogo das palavras (quando já éramos mais crescidinhas).

Saudades dos gatinhos que tivemos.

O quanto chorámos quando partiram...

Saudades das portas de casa abertas e de ir a pé para a escola sem medo.

Saudades do cheirinho da flor de laranjeira na Primavera...

Que saudades da inocência...

Que saudades de brincar...

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Sinto...

 
Sinto saudades de rir... de brincar, de abraçar... Sinto saudades do que sou mas estou a deixar de ser... ou do que fui e já não sou... Saudades de mim... Preciso de reencontrar o meu sorrir que se perdeu algures no tempo... Preciso urgentemente de recomeçar...


por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • Ametista

    Oh Flor, obrigada. Deixas-me sempre palavras tão b...

  • DyDa/Flordeliz

    Já estive aqui .Li, e...Parti. Faltaram-me palavra...

  • Ametista

    Obrigada, Green Beijinhos

  • green.eyes

    As saudades que eu tinha dos teus textos …Beijinho...

  • Ametista

    Obrigada, Gaffe, pela visita. E sim, um sótão acon...

esconderijos do sótão

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