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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Tudo e Nada

 

Por ti sinto tudo e o que não sei, contigo sinto tudo e sinto nada, sem ti não sinto nada e nada sei, o tudo e o nada são tudo o que não sei e o que te sinto...

Sinto-te através da lua, confidente que me escuta e compreende, que me ajuda a libertar dos meus fantasmas...

Sinto-te através do ribeiro que corre a meus pés, me dá água para matar a sede, aquela que tenho de ti...

Sinto-te através do chão que piso e me faz levitar, aquele que me deixa o teu cheiro para te respirar...

Sinto-te através daquilo que não sei, daquilo que te reconheço e não conheço, daquilo que te quero e te confesso...

Sinto-te e perco as palavras, fico muda. Olho-te e deixo de ver, fico sem luz. Suspiro-te e perco os meus sentidos...

Respiro-te, vivo-te, é o tudo e o nada, é o até sempre sentir-te...

Busco-te no teu lugar, trago-te até aqui, vivo-te por aí...

Guardo-te em cada espaço que te sinto, num sítio qualquer...

Sonho-te e caminho contigo de mãos dadas num compasso acertado...

Sento-me contigo na areia, navego contigo no barco que te inventei, no cenário de um mar que te criei...

Sinto-te e eternizo-me em ti, em tudo e em nada. E neste tudo e nada que não sei e que te sinto, perco-me em ti e perco-te a ti...

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Sem pés, nem cabeça

Era um namoro que vinha de há longo tempo. Ele, sedutor e impulsivo. Ela, bem sucedida na vida e possessiva. Um dia, ela foi-lhe infiel com um amigo comum e a relação acabou ali, depois de uma cena de pancadaria entre os dois rapazes no café da praça central da cidade.

No tempo em que estiveram separados o descontrole dele era excessivo, tendo por hábito juntar-se aos amigos para conviver e beber uns copos e cuja consequência era meter-se em sarilhos. Tê-la perdido era presença constante no seu subconsciente e, sob o efeito do álcool, tornava-se rancoroso e bastante violento atacando tudo e todos os que se lhe dirigissem, fosse de que forma fosse.

À parte disso, era um excelente amigo, óptimo conversador e bastante divertido. Apesar de tudo, tomava consciência das suas atitudes nefastas tanto que, no dia a seguir aos desacatos cometidos, tinha sempre a preocupação de pedir desculpa às 'vítimas' das suas atitudes violentas.

No fim de várias imprudências por parte dele voltaram a juntar-se, quão grande era o que sentiam um pelo o outro. Mas depois da reconciliação, era rara a ocasião em que não discutissem através de palavras ofensivas. No café, no restaurante, na discoteca, fosse onde fosse, estivesse quem estivesse. No início de uma noite com os amigos tudo corria na perfeição, mas a partir do momento em que ele não largava o copo ou a garrafa, ela dava início às suas teorias repetindo sempre as mesmas frases até ele ficar insano. Interiorizava as contendas e perdia a cabeça, desaparecendo pela noite dentro até de manhã e envolvendo-se em actos de desvario.

Ela, sempre determinada, aparentava perante os amigos que as coisas iam de vento em popa, desempenhando na perfeição o papel de namorada compreensiva, mas sempre possessiva. Ele, eterno conquistador de corações alheios mas 'dedicado à sua amada', era-lhe infiel sempre que surgia uma oportunidade. Sentia, no entanto, arrependimento no dia seguinte à infidelidade cometida.

Um dia, decidiram juntar os amigos e comunicar que iam viver juntos. Eis que surgiu a decisão de ela deixar a casa dos pais e juntar-se ao homem da sua vida. Ele, habituado a ter o seu espaço e sempre boémio ao longo da sua vida, iniciou uma fase de 'homem da casa' submetido às 'ordens' da namorada. Porque, como ela própria confessou aos amigos, as tarefas domésticas não são propriamente o seu forte, por isso há que 'dividir tarefas' e, enquanto ela trabalha até altas horas da noite em diversas cidades do país, ele 'põe a casa em ordem'.

Apesar de toda esta estranha forma de viver a dois, ele sempre nutriu por ela um sentimento de apego total, doentio até, sentindo-se altamente dependente do seu amor. Ela não vive sem ele, mesmo tendo noção de que a relação que mantêm até hoje é tudo menos saudável.

 

Que amor é este, afinal, em que estão presentes a infidelidade, a discórdia, o contrasenso, a falta de confiança, a possessão, a submissão, a violência verbal e tudo o que não pode existir numa relação? Será amor o que sentem um pelo outro?

Se for é, sem dúvida, um amor sem pés nem cabeça.

 

 

(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Quando a música deixou de tocar

Enquanto te amar, ouvirei sempre a mesma música...

Quando ela deixar de tocar, esqueci-te para sempre...

 

Disse Laura, tantas vezes, enquanto se olhava ao espelho antes de dormir.

 

E, naquele romper do dia, acordou de mais uma noite inquieta. Levantou-se, dirigiu-se à janela do quarto e parou. Afastou o cortinado que encobria, muito ao de leve, a luz vinda do exterior. Desviou suavemente os cabelos do rosto e olhou lá para fora. O sol parecia espreitar, meio escondido, através das nuvens. Contemplou a serra que avistava ao longe e respirou o ar da manhã. Deixou-se ficar no silêncio que lhe era permitido...  

 

E a música não tocou...

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Ponto e vírgula

 

Não gosto de conversas inacabadas, de dúvidas, dos quês e os porquês.

Não gosto de respostas confundidas, argumentos duvidosos e atitudes enganosas.

Não gosto de incertezas, equívocos, deturpações. Não gosto de mentiras.

Não gosto de assuntos encerrados com ponto e vírgula.

Gosto de ponto final, parágrafo.

 

E vire-se a página.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Grito!

 

Este é o meu grito!

Basta!

Basta de saudosismos, nostalgias, romantismos!  Chega de tristezas, revoltas e lágrimas! Basta de negativismos, sentimentalismos, pessimismos! Chega de instantes, devaneios e ilusões! Acabem-se as insónias, os pensamentos, as utopias! Basta de ausências, de recordações, de divagações!

Basta de absurdos! Chega de lamechices!

Varri a poeira.

Gritei!

 

Estava a precisar, não estava?

por Leonor Teixeira, a Ametista

Hoje e Eu

Isto de ser sentimentalista e pessimista tem de acabar!

Estou a começar a ficar farta de mim mesma!

Ou ando a passar uma fase menos boa? É capaz de ser isso.

Sim, porque às vezes parece que o diabo anda à solta!

Quando uma coisa corre mal há uma influência negativa sobre todas as outras que, por sua vez, acabam por correr menos bem.

Tenho que dar ouvidos à minha mãe! Negativismo puxa negativismo. Começo a acreditar, se bem que já tenho idade suficiente para ter a noção disso.

Às vezes comporto-me como uma adolescente! E inconsciente!

Até parece que ainda acredito no pai natal! Quem me dera!

Que nervos!

Apetecia-me ir para um descampado e gritar até me cansar!

por Leonor Teixeira, a Ametista

A Beleza das Coisas

 

A beleza das coisas está no momento em que acontecem pela primeira vez...

Porque o primeiro instante nunca se repete... um olhar, um beijo, um gesto... um momento vivido inesperadamente e que faz o coração bater... uma admiração por algo nunca antes visto ou sentido... algo que emociona ou faz derramar uma lágrima de tão puro que é... de tão sublime...

A beleza das coisas está no momento em que ficam para sempre...

Um encontro, as mãos que se dão, o verdadeiro abraço... ouvir aquela música e recordar o que significou... ou simplesmente escutá-la porque faz sonhar... dançar com aquele alguém especial... e voar... muito para além da imaginação...

A beleza das coisas está na magia do momento em que acontecem...

Porque esse instante eleva-nos ao mais grandioso dos lugares... a nossa praia... aquela que queremos para nós...

 

- O mundo está a perder a beleza por puro egoísmo e ganância do Homem -

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Ano Novo

 

E mais um ano passou.

Deixemos, então, para trás o que de mau ficou de 2008 e guardemos os momentos melhores que conseguimos viver.

Será que o ano de 2009 poderá vir a ser um pouco melhor? Sim, porque pior que o de 2008 é quase impossível.

Bem, o importante é que tenhamos saúde para mais um ano das nossas vidas. Porque o resto vem sempre por acréscimo.

Vivamos, então, um dia de cada vez. Agarremos o que de melhor a vida tem para nos oferecer.

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Tempo

 

Já não há tempo para jantares entre amigos e conversas de café em noites frias. Já não há tempo para risos ao redor de uma mesa de amizade e danças ritmadas em noites quentes. Já não há tempo para abraços de família e recordações de outrora junto à lareira. Já não há tempo para memórias...

Já não há tempo para nada, a não ser para trabalhar e pouco mais.

Tempo para o bem estar pessoal é pouco, muito pouco. Tempo para a felicidade, quase nenhum. E todos os dias, o espelho vai dizendo que o tempo escasseia...

E assim se vão perdendo os sonhos. Resta a imaginação guardada num cantinho do coração...

 

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • Ametista

    Oh Flor, obrigada. Deixas-me sempre palavras tão b...

  • DyDa/Flordeliz

    Já estive aqui .Li, e...Parti. Faltaram-me palavra...

  • Ametista

    Obrigada, Green Beijinhos

  • green.eyes

    As saudades que eu tinha dos teus textos …Beijinho...

  • Ametista

    Obrigada, Gaffe, pela visita. E sim, um sótão acon...

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