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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Assombração

Casal_gotico_preto e branco.jpg

(imagem retirada de google imagens)

 

É tarde. Eu sei que é tarde, mas não para mim porque as madrugadas tornam-se cedo demais sempre que os silêncios chovem nas palavras, pelas gotas que jorram da pele que rasga, num arrepio, com o gemido dos ventos que ganham rosto.

É tarde e vejo-te no fim da rua mas disseram-me que não eras tu e eu, no meu mundo imaginário, acredito que és um fantasma que responde aos meus apelos e vens, deambulas pelas esquinas da cidade até me chegares, é como um encontro sem hora marcada entre dois corpos que se tentam. Talvez sejam as nossas almas a sentarem-se num café de beira estrada, à espera um do outro, como quem fica até nunca acontecer. Sempre vestidos de branco, mortos no desejo de que o infinito seja morada, onde a quietude existe debaixo dos bonsais gigantescos que amparam o brilho das estrelas que se deitam à beira rio e esperam que dele se faça lago, na ânsia de que haja mais que branco prata. Afinal, o azul não existe só para pintar o céu, as gardénias que florescem nas margens merecem outra cor para além da candura das pétalas, bem que poderiam ser azuis.

Repetem-se as vozes, ecoam até ao romper das entranhas, quem vejo é um espectro que à noite se cobre de preto mas és tu, eu sei que és tu quem percorre todas as vielas na busca de um anjo da paz. Peço-te que seja eu para me levares numa viagem sem bilhete de volta e eu, na minha irreverência, esqueço-me das gentes e das coisas e corro para a paragem de onde não se vêem os regressos. Eu, que sou a palidez em estado puro e sem sentidos, visto-me de negro antes de anoitecer para que consigas alcançar-me, que do ébano das nossa vestes surjam trajes brancos e nós, na nossa verdadeira essência, embarquemos numa jornada de milagres merecidos.
Dizem que as pedras da calçada também choram na queda dos beijos que ficaram por dar e que a terra, quando está molhada, estremece na poeira densa e quente, quem dera que adormeça na despedida dos pássaros que voltaram a voar e a lua desperte nas bermas das avenidas assombradas.
É tarde, eu sei. Mas eu quero a ondulação de um sopro envolto em flores de lótus azul celeste, à superfície do rio que está à nossa espera para dançar.

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

2 comentários

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por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • Ametista

  • Ametista

    Verdade... memórias que já não voltam Beijinho

  • Anónimo

    Palavras muito bem escritas, como sempre. Adorei. ...

  • Anónimo

    Ao ler-te, chorei...não consigo escrever mais nada...

  • Happy

    A saudade de pessoas a quem queremos ou quisemos b...

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