Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Palavras que se prendem

 

Não sei desprender as palavras. Não sei como fazê-las voar.

A minha imaginação perde-se na turbulência dos sentidos e as asas caem.

Quero escrever, escrever sofregamente, ondular as letras e deixá-las poisar nas páginas do meu livro branco, gastas pelo tempo.

Não consigo preencher este vazio. Preciso mergulhar nos rios da memória e emergir com versos cristalinos nas mãos, no corpo e na alma.

Não sei viver sem as histórias que inventei, sem os lugares misteriosos que desenhei, sem as personagens que criei e a quem dei vida.

Preciso de bosques e florestas, de cabanas e castelos, de fadas e feiticeiros. Preciso de árvores e flores campestres, de esconderijos e labirintos, de anjos e pássaros.

Preciso do silêncio que a doçura da fantasia me transporta. Preciso de magia.

A praia está para lá da serra que olho a cada fim de tarde. Não oiço o murmúrio do mar nas madrugadas e a minha inspiração desvanece. Desmaia o brilho das estrelas, a lua não é de prata e o céu já não tem mil cores.

Escapa-se a caneta por entre os meus dedos e deixo de ver a linha do horizonte. Tremo na perda de um sol rubro que se põe.

Preciso de areia nos pés, de água salgada na pele e de ondas nos meus cabelos para libertar as palavras.

Fica uma concha pintada na baía onde cabem todos os segredos e nenhum desperta.

Há uma gaivota que geme e sussurra tempestade. Quero viajar no seu embalo, enroscar-me no seu colo com as letras que trago.

Mas morro no cais, como uma pedra da calçada que se solta com o tumulto do vento norte.

 

As palavras? Morrem comigo, bem presas à minha alma.

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Serás tu ou estarás lá?

 

Disseram-me que estás aqui.

Foi uma borboleta que me pediu para te procurar e para, depois de te encontrar, reinventar-te.

Estarás tu nas páginas dos meus livros de cabeceira, que folheio todas as noites antes de sonhar? Serás tu a alma do anjo que me adormece serenamente a cada madrugada? Estarás tu em cada canto desta casa, em cada quadro, em cada imagem, em cada luz? Estarás tu em cada nota de música que ponho a tocar ou serás a tinta a óleo dos pincéis que me fazem pintar todas as telas?

Serás tu cada folha, cada ramo de árvore que foco com doçura sempre que vou ao jardim fotografar? Estarás tu numa pétala de rosa ou serás uma outra flor, das mais belas que contemplo a cada fim de tarde e colho para enfeitar os meus cabelos?

Estarás tu no brilho das estrelas, todas as que olho a cada anoitecer ou serás o sol que nasce resplandecente a cada alvorada? Estarás tu nas gotas da chuva que cai em dias cinzentos ou serás uma das cores do arco-íris?

Serás tu o uivo de um lobo que chora na escuridão pela ânsia de correr nas florestas ou serás o canto de uma andorinha que chama por manhãs primaveris?

Se assim for, se estiveres em todos os lugares e fores todas as coisas que estão vivas e eu puder escolher, meu amor, quero procurar-te no mais alto das montanhas, encontrar-te nas asas de um pássaro e contigo reinventar as nossas almas.

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

(Des)encontro de Almas

 

Eu queria falar de almas e de encontros, aqueles que se dão por capricho do destino. Acredito que as almas se cruzam porque têm um passado em comum, vindo de outros tempos, e algo ficou por revelar ou resolver.

Por vezes dou comigo a pensar que alma gémea há só uma mas, sempre que acredito que a encontrei, perco-a de seguida e fico sem saber a razão e questiono-me se seria mesmo aquela, a tal.

Depois de tantos (des)encontros ao longo de uma existência repleta de incertezas, chego a crer que as almas gémeas se encontram no cruzar das vidas. No intervalo, aquele que existe entre a vida e a morte.

Aí sim, nesse lugar, onde o vazio se preenche do que não sei e se transforma num instante impossível de recordar, onde nada existe mas tudo acontece. É o encontro das almas que se dá, num momento imensamente puro, em que dois corações bailam na palma de duas mãos que se desconhecem e se tocam sem saber porquê. Misterioso, mas glorioso. Os corações saltam do peito e entregam-se no mais sublime acto a que não se consegue assistir, apenas se permite imaginar.

Lágrimas rubras soltam-se em forma de nuvem, no mais profundo dos silêncios. Há tanto por descobrir. Quem fui, quem vou ser, onde estive, para onde vou, com quem. É um não sei que se inventa e que se cria, onde sou tudo o que queria ter sido e nunca fui. E volto a perguntar-me porquê. Talvez porque não consegui ou porque o destino não permitiu.

É um turbilhão de emoções, vivido num sono tranquilo mas inconstante, onde as perguntas dão lugar a respostas e as mesmas se duvidam entre si numa encruzilhada interminável.

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Anjo imortal

 


 

Eu queria escrever sobre ti, tu que és imortal mas não existes e que conheço como ninguém.

Caminhas comigo de mãos dadas, beijas-me o rosto a cada mágoa e guardas-me no colo como um anjo. Tu, que vieste de outros tempos, de outras vidas, saboreaste todos os estados de alma e ressuscitaste com honra em cada era.

És tu quem me dá força para prosseguir pelas colinas, aquelas em que tropeço tantas vezes e me fazem ressurgir com um sorriso.

Tens a cabeça no lugar do coração, não sentes, não sofres, não padeces. A prudência é o teu guia, ages sem qualquer impulso que te arraste para a terra das angústias que se choram, onde se mata a sede no derramar das lágrimas.

Não sabes a razão de uma queda no abismo, esse lugar tenebroso sem saída. Moras na amplitude de um intervalo, é como a vibração celestial das pradarias sem muros nem pontes, sem portas e sem janelas, aquelas que se trancam para sempre.

Não consigo já viver sem ti, dormes no meu ombro a cada noite fria, o teu sono é como a aragem quente que sopra nos desertos. Tu, que despes a chuva quando cai e a vestes de sol, aquele que inebria o meu leito e me alimenta.

Seduzes-me na tua magia suprema, entrego-me a ti como uma cigana se rende à liberdade, saímos para a rua sob um manto branco e descalços vagueamos no silêncio das estrelas.

Não me fujas, que não sei viver sem ti, meu amparo constante que me eleva na utopia dos dias cinzentos. Leva-me contigo rumo ao arco-íris, faz de mim imortal com um beijo teu.

 

 

 

(A imagem aqui apresentada foi encontrada algures no google e sem autor referenciado. Agradeço a quem a criou que, caso a encontre por aqui, me avise para  lhe dar o devido crédito ou, se assim desejar, retirá-la-ei de imediato.)

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Vazio de Nós...?

 

13 de Julho de 2010. 18,55h.

 

Perco-te nas horas, há um vazio que me deixas. Partes num silêncio absoluto, deixas-me na ausência que me trazes para ficar.

O tempo ensina-me a cada hora dos meus dias que não há nada para nós para além do vazio que me confias.

Fiquemos, então, assim. Não há espaço para nós dois no mesmo mundo. Só a distância nos é permitida, tão perto que estamos um do outro, tão longe que nos encontramos, afinal.

Invento-te neste mistério que nos impõe um muro intransponível que sinto, oh se sinto, jamais será derrubado.

Quero decifrar este enleio de dúvidas que me cegam.

O tempo não nos pertence, não a nós. Fica o que restou, utopia incontornável, viagem sem regresso que se dá, turbilhão de emoções em mim contidas.

Eu sou o sol e a lua que se beijam, o céu e o mar que se tocam num fim de tarde pintado de mil cores. Tu és, não sei, o cinzento dos dias que me cercam, a chuva a cair numa noite fria.

A minha alma está vazia. Mas continuo a amar-te. Sim, amo-te perdidamente, não tenho medo de o confessar. Consegues ouvir-me?

 

 

4 de Agosto de 2010. 01,45h.

 

Hoje, ouvi a tua voz. Tive vontade de ir ao teu encontro, abraçar-te, pedir-te para ficar.

Queres voar comigo? Voar para lá do vento, entre o sonho e o que ficou por inventar? Queres descobrir comigo as cores do arco íris e pintar as nossas vidas de aguarela?

Ficaria tudo tão suave, as nossas almas sentiriam a liberdade que nos foi proibida.

E aí, no mundo por nós construído, tão belo quanto a natureza que nos envolve, poderíamos atingir a plenitude de uma felicidade impossível de alcançar.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Varanda com vista sobre a cidade


Queria ter escrito sem parar, todas as horas da minha existência num passado recente. O vento entrou na minha vida e mudou de rumo a cada instante dos meus dias.

Eu queria. Queria ter sonhado por entre as gotas de tinta de uma caneta quase extinta, como que num fogo apagado pela coragem de quem arrisca o destino por cada sopro de vida, cada coração que não pode parar de bater.

Queria ter ficado. Queria ter parado no tempo e implorado à linha do horizonte que o céu e o mar se beijassem a cada por de sol. Queria ter adormecido, submersa, e através das águas cálidas de um oceano sereno ver o céu tornar-se azul a cada alvorada.

Queria ter alcançado as estrelas como outrora, transformar-me em pássaro, ter asas púrpura de veludo, rosto de lobo, alma cigana, coração de aço e tocar a nuvem mais branca e doce.

Queria ter permanecido assim, como sempre fora. Rebelde, sempre rebelde, com sede de liberdade, com urgência de soltar o grito escondido que trago bem preso no ventre. Com vontade de lutar e vencer ou sair vencida, mas lutar sempre e até sempre. Ser eu, sem medo de demonstrar quem fui, quem sou, o que sei e o que não sei, quem gostaria de ser. Simplesmente genuína e cheia daquela vontade desmedida de viver em passos de dança até voar.

Tudo em mim é imensurável. O meu amor, o meu saudosismo, a minha rebeldia, a minha força, a minha vontade de abraçar. A minha capacidade para sonhar acordada e acreditar, para depois desacreditar. É assim que sou.

E lá, na varanda com vista sobre a cidade, observei as luzes que se acenderam no ocaso, admirei a beleza que delas nasceu ao formarem-se depois do crepúsculo. Avistei silhuetas ao longe que passeavam, carros que circulavam devagar num silêncio quebrado pelo canto de uma cigarra que surgiu numa noite quente.

Eu queria ter escrito cada momento. Queria ter escrito sem parar. Conseguir descrever na perfeição a dor de um coração rasgado e, ao mesmo tempo, o brilho de um olhar que agradece o privilégio do despertar a cada manhã. Queria descrever em pormenor o momento em que o sol entrou para me abraçar, qual alma vazia que se preencheu por instantes numa noite qualquer, igual a tantas outras.


 

Obrigada a quem faz parte da minha vida e a quem compreendeu a minha ausência.

por Leonor Teixeira, a Ametista

Perguntas sem resposta ou o Mistério da Vida

 

Tantas vezes gostaríamos de voltar atrás e trazer os tempos de outrora connosco, mas não podemos mudar o curso da vida. Insistimos em voltar ao passado, porque nos é difícil interiorizar que não conseguimos voltar a viver o que não se repete nem podemos alterar o que gostaríamos que tivesse sido diferente. Porque, efectivamente, existem coisas impossíveis e essa é uma delas.

Mas, por vezes, os nossos sentidos estão acima da prudência e mergulhamos num turbilhão de emoções difíceis de conter. Rumamos em direcção ao que não queremos para nós, porque o que nos invade é o medo de que o amanhã não exista. Neste caso, é preferível parar do que dar um salto para o desconhecido.

É querermos viver o momento e desejarmos que o tempo pare a todo o custo, não importa se é certo ou errado, tamanha é a entrega. O relógio continua no seu compasso apressado, mas o mundo lá fora deixa de existir. Porque é nessa prisão que se liberta um coração e o resto não interessa.

E queremos que tudo volte a acontecer para vivermos os mesmos sentidos, da mesma forma. É a intensidade dos momentos que nos marcam para sempre e deixam saudade. E tudo se repete na nossa memória, porque agora já não estamos no mesmo lugar. Mas, tantas vezes, voltamos lá para (re)viver tudo outra vez.

Queríamos nós que a razão falasse mais alto, mas ainda há corações que continuam a bater acelerada e descompassadamente. Gostaríamos que eles batessem de uma forma regular, mas quem consegue controlar sentimentos mais fortes?

Não falo apenas de amor, mas também de amizades, afinidades. Falo de perdas, de ilusões, esperanças e desilusões num universo de almas que se vão cruzando ao longo dos tempos. E de uma estranha forma vemos os anos correr, sentimos o tempo escassear. O passado deixa de ser o ontem, o presente já não é o hoje e o futuro faz parte dos dias que não temos a certeza se vão chegar. Dizemos adeus a quem viaja para parte incerta sem sabermos se vai voltar, há palavras que deixamos por dizer a quem partiu sem deixar rasto. Ouvimos notícias menos boas de quem já não está por perto, observamos pessoas lutarem contra uma doença que surgiu sem avisar, outras que desistem de viver a cada dia. Assistimos a vidas que se extinguem, umas por tragédias incompreensíveis outras, dizem, pela lei que a natureza obriga. E perguntamo-nos porquê.

Posso dizer que vou andando, passo a passo, por esta ponte que me deixa admirar um rio que é sereno porque, por enquanto, a vida me permite fazê-lo. E continuo a sonhar e a tentar acreditar num amanhã melhor e, mesmo sabendo que muitos desejos não passam de utopia pura, prossigo nesta minha luta imaginária. Não sei se ainda me encontro a meio da ponte, mas vou tentar seguir para a outra margem o mais rápido que puder. Tenho de conseguir. Preciso urgentemente de mergulhar nas águas de um rio que transborda de esperança.

Os porquês e as dúvidas, as incertezas que me acompanham nas horas e a resposta que teima em não surgir. E fico assim, sem perceber a razão dos encontros e desencontros, das almas que se ausentam, da espera por um regresso que não chega, das vidas que se perdem, das esperanças que vão morrendo pouco a pouco. E tudo se mantém, neste ponto de interrogação.

Acredito que as coisas não acontecem por acaso e sinto que o que ficar por resolver nesta vida, resolver-se-á noutro lugar. Porque tem de haver uma resposta, tem de existir uma explicação para este mistério.

Há tanto para dizer, tantas ideias que divergem, opiniões discordantes e, ao mesmo tempo, tantas palavras que se trocam na mais perfeita harmonia. Mas a realidade é esta, a que vivemos, longe ou perto de um passado que não se repete e de um futuro incerto. Para quando a resposta a tudo o que não conhecemos e não sabemos nem conseguimos compreender?

Um dia, talvez...? Cabe ao destino decidir.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Fábrica de Histórias


 

Vejo-me a passear por entre divagações e encontro uma fábrica de histórias pousada numa nuvem branca. A seu lado uma outra nuvem, de mil cores, onde um grupo de operários partilha os seus sentidos de mãos dadas.

A porta está aberta. Entro na nuvem, estendem-me a mão e juntos criamos uma dança especial. É o baile das palavras que nos unem, por entre uma aliança de almas que se tocam num gesto encantador.

Consigo ouvir as nossas vozes que sussurram por entre a música que toca sem parar e as palavras ecoam em nosso redor, as histórias pairam no ar.

Há pedaços de prosa, pedaços de poesia guardados num cantinho de nós e a inspiração que nos espera sorri-nos através de uma nuvem coberta pelo imaginário que nos envolve.

Há escritas floridas enviadas e recebidas com carinho. São brancas como a paz, azuis como o mar, verdes como a esperança, de mil cores como os nossos sorrisos.

Ganhamos asas, voamos num céu que nos ampara e pousamos na praia que nos espera.

Damos as mãos sentados na areia dourada e emergem as nossas histórias que cantam com as gaivotas que sobrevoam a beira mar. É um cântico que nasce de um abraço construído de mil contos de encantar. As palavras soam num verso inigualável, enchem-nos a alma, trazem consigo um pouco de mar.

As ondas vêm até nós para nos beijar e eleva-se o nosso sentir. Mergulhamos nas suas águas como sereias a ondular nas profundezas de um oceano. Há uma fantasia que se aproxima de mansinho e chega até nós.

E desta forma tão sublime cresce a fábrica de histórias que encontrei, que abriu as portas de par em par e, tão delicadamente, me deixou entrar. A fábrica é azul, parece o sol a reflectir-se no mar.

As mãos estão dadas, a dança é perfeita, a arte eterna. Estamos na linha do horizonte.

Há cenário mais belo do que este?

Somos nós...

 

 

(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

 

 

É uma honra fazer parte do grupo de operários da Fábrica de Histórias criada paralelamente  à Autores Editora, verdadeiros construtores de sonhos, e cujo projecto nasceu há um ano. Estão de parabéns!

 

Muito obrigada por existirem, muito obrigada por fazerem parte da minha vida.

por Leonor Teixeira, a Ametista

o Fim de Nós

 

Querido Duarte,

 

Eu quis ir ao teu encontro, mas voltaste a fugir.

Contigo descobri que não temos a mesma alma. A tua escapou por entre as vísceras do teu coração arrefecido.

Ensinaste-me que não faço parte de ti. E tu não poderás fazer parte da minha vida.

Contigo aprendi que nem o mais grandioso dos amores pode juntar duas pessoas que não têm o mesmo sonho, que não dançam a mesma música. Mesmo aquela que escutam em perfeita sintonia. Não é livre um amor assim.

A nossa música deixou simplesmente de tocar. É hora de esquecer o que não fomos. Ficaram os retalhos perdidos no chão de uma vida apenas. A outra vida és tu e não me pertence.

Fechei o meu coração. Lancei a chave às águas de um rio que corre veloz debaixo da ponte que separa as nossas vidas. Não há retorno. O meu coração está selado.

Mas a minha alma continua a dançar e consegue libertar-se num voo sem limites. E as palavras esperam por mim em volta de uma fogueira numa noite de luar.

E eu não vou fazer soar o teu nome.

 

Laura

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

O meu quarto não tem tecto

 

Pinto de azul as paredes do meu quarto sem tecto. Consigo alcançar a lua que espreita envergonhada por entre as estrelas. Fecho os olhos e adormeço num sono ofegante. Há nuvens brancas que descem até ao meu leito e dançam junto do meu corpo inquieto. Sinto uma tranquilidade mágica. Há palavras sagradas que entram sem pressa e unem-se no espaço vazio. Constroem-se versos encantados que esvoaçam em meu redor. Surges do céu devagar e procuras-me suspenso no ar. Chamas por mim em silêncio e distribuis-me sorrisos escondidos. Não consigo ouvir-te, não consigo ver-te, mas sinto-te perto. Consegues encontrar-me, aninhas-me no teu colo e tocas-me num gesto de ternura. Respiras-me ao sabor de uma carícia e elevas-me num sonho teu.

Desvendo o meu segredo com um poema de afecto. É um manifesto guardado num tempo longínquo que se transforma em eco. Afastas-me numa angústia misteriosa e foges nas asas de um anjo. Perco-te no universo e vou em busca de ti. Há uma nuvem que me leva até ao firmamento. Grito o teu nome e lanço-te mensagens de saudade. Mas tu não me ouves. Voas até ao infinito e ficas do outro lado do céu que nos separa.

 

Sonhei contigo esta noite. Acordo de alma rasgada e teimo em ficar na fantasia do aconchego das almas. É um encontro que não se repete. Olho-me e estás ali, do outro lado do espelho, reflectido em mim. Mas tu não me vês.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

queres entrar?

os meus livros queres comprar?

ametistaleonor

ametistaleonor

não copie ou altere; respeite os direitos de autor

índice.jpg

comentários arrecadados

  • Ametista

    É verdade... e que 'velha guarda'. Era maravilhoso...

  • green.eyes

    Eu acho que 95% da "velha guarda" foi embora…Do no...

  • Ametista

    Ficava aqui para sempre, acreditas? Mas há amigos ...

  • green.eyes

    Já não aparecias a tanto tempo, que já pensava que...

  • Ametista

    Eu vi-te Beijinho grande

esconderijos do sótão

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

IMG_20151228_150612.JPG