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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Gosto que me chames pelo nome

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(imagem retirada de: google imagens)

 

Esperei-te na despedida do nosso último Verão, o Outono tinha chegado antes de tempo, mas tu não vieste. As gaivotas gritaram em sinal de tempestade, o mar cantou com elas elevando as suas ondas, bem ao alto, e todos fugiram menos eu.

Continuei a esperar-te enquanto lia a carta que deixaste à beira mar junto à guitarra que sempre tocaste, tão melodiosas as tuas rumbas flamencas, nela estava marcado o teu último adeus.

 

Não quero acordar, tenho medo de não voltar a sonhar contigo, afinal só te vejo quando durmo e consigo ouvir-te chamar pelo meu nome. Gosto que me chames pelo nome, gosto que me olhes no silêncio que vem depois, quando entras nas minhas fantasias. Mesmo que não sintas o que quero, há uma história que se inventa e eu descubro. Vem mais vezes assim, em ilusão, vem para me amar mesmo que esse amor seja mentira, mesmo que se apague ao despertar. Gosto que me chames pelo nome. Assim acredito que estás perto, mesmo que a preto e branco nas sombras da utopia.

Os cálices estão cheios e espalham-se pelos atalhos do meu sonho, esperam pela marca dos nossos dedos, estão sedentos pelos lábios que secaram na ausência. São tantos os brindes à nossa história que nos esperam, são tantas as promessas. Há garrafas que guardámos para momentos especiais, quem dera darmos as mãos nas madrugadas a chorar, embebermo-nos em palavras por versejar. Consigo ouvir a tua voz sussurrar-me ao ouvido 'gosto do cheiro da tua pele' e depois? Depois, roubas-me em eco um beijo eterno.

Não sei se consigo sobreviver nas alvoradas, os sonhos não se realizam, tu sabes, mas desperto de uma quimera que se repete a cada noite e tu não estás, nunca estiveste, nunca estarás. Maldito amor que não existe, terrível destino incontornável, declarou-se na ruína das palavras. Levem-me daqui antes que sequem as águas do meu mar.

 

Ainda hoje espero por ti na despedida e chamo-te pelo nome, mas tu não me ouves nem sequer sabes que existo e eu parto para outro lugar onde não estejas, adormeço desta vez na ânsia de esquecer-te mas volto a sonhar. Contigo, sempre contigo a surgires sem aviso do nosso último Verão e a chamares-me pelo nome. Gosto que me chames pelo nome.

Não quero acordar, quero sonhar para viver-te mesmo que incompleto e deixar-me ir nesta magia. Depois podes ir e não voltar.

 

escrito em 25 de Setembro de 2015 e agora alterado

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Dos sonhos

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(Imagem retirada de: google imagens)

 

- Não desistas dos teus sonhos. Corre atrás deles até não poderes mais. Nunca te acomodes só porque a vida te tornou confortável. Assim, um dia vais chorar por um aconchego que não te oferece a felicidade que tanto anseias. Preferível ser feliz mesmo sem conforto do que amparada mas amargurada.

- Sim, mãe. Tens razão. Mas haverá razão para eu sonhar, se a vida é tão frágil e o mundo me parece tão pequeno? Onde caberei eu e todos os meus sonhos?  Mãe, haverá lugar para mim no universo?

- Lugar há, minha querida. Não sei é se conseguirás, um dia, reclamá-lo como sendo teu.

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Cartas de (des)amor

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 (Imagem retirada de: google imagens)

 

Fui lendo as histórias que retirei do baú de recordações, minhas e tuas, que guardei no tempo que foi nosso. Li e reli, inventei e imaginei, construí e revivi.

Foram castelos de sonho que criei, desenhei-os na areia da minha praia mas levou-os o mar, o meu mar azul, em noites de tempestade.

Enquanto te amar, ouvirei sempre a mesma música. Quando ela deixar de tocar, esqueci-te para sempre.

 

in "O Despertar dos Silêncios"

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Do amor dela por ele

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 (Imagem retirada de: google imagens)

 

'Amo-te. Não desde o primeiro dia em que te vi, mas desde o momento em que me sorriste. Eras tão bonito.

Sim, amo-te. Talvez por seres a minha melhor recordação, a minha mais doce memória. Tenho saudades tuas. E agora, que faço com a saudade? Amarroto-a como a um pedaço de papel, deito-a ao vento, arranco-a de mim? Ensinas-me como se faz? Ou confesso-me a ti e digo que ainda te amo depois de tantos anos? Eu sei que um dia vai passar, eu sei, mas fazes-me falta nas tuas gargalhadas. Faltam-me as tuas mãos para dar, o teu beijo oferecido com verdade e o abraço que me tirava os pés do chão.

Um dia perguntei-te se dançavas comigo e tu disseste que não sabias. Nunca tiveste jeito para dançar, trocavas os passos, lembras-te? Mas, mesmo assim, dançámos num tropeço e nada mais importou. Podia ter morrido de amor nessa dança. Fomos tão felizes.

Queres envelhecer comigo? Seria bom que pudéssemos escolher com quem ficar e essa escolha fosse recíproca. Escolhia-te a ti para partilhar o que ficou do nosso intervalo.

Sonhar alto é sonhar-te. E eu sonho-te tanto. Espero por ti ou encontramo-nos para lá das estrelas, um dia, quando formos alma?'

 

para o J., de Laura

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Confissão

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(Imagem retirada de: google imagens)

 

Não sei se te amei, confesso. Mas estou certa de que me perdi no dia em que te reencontrei. Lembro-me de sufocar na angústia de não te esquecer, de vaguear errante por sonos despertos, de ver morrer a lua e assistir ao desmaio de cada pôr de sol.
Não quero que me mates a saudade, se não é saudade o que te sinto. Não venhas ao meu encontro, peço-te. Respirar-te é falecer com um sentido de vida por deixar.
Não te amei, não. Afinal, o que é o amor se não traz palavras doces e olhares ternos, se não tem sorrisos e abraços? E tu, tu que nem sabes quem eu sou, faltas-me tão pouco ou, apenas, nada.
Apague-se o teu nome, derradeira aspiração da minha alma, em todas as conjugações do verbo amar.

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Instante

Quero ficar contigo, apenas de vez em quando. Isso basta-me. Porque o de vez em quando pode ser para sempre e o sempre, para mim, é muito pouco. Porque encurta-se a vida, nos anos expostos nos relógios que se apressam na demora de viver.

Pois eu já cumpri essa parte, já vivi, e o que sobra é tão pequeno. Dizem-me as horas que é preciso acabar num instante, para depois seguir viagem na solidão que nos transporta ao mistério do lugar.

E tu, tu és o meu instante.

 

P.S. Faltas-me. Faltas-me nesse sorriso que te cala e no silêncio que te move. 

 

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Praia 2015

Agora que cheguei à minha praia e sinto, mais do que nunca, a imensidão da tua ausência posso perceber o quão ridícula se pode tornar uma paixão, quando vivida por uma das partes num êxtase total.

Já não é hora, não para mim.

Aqui penso melhor, a minha capacidade de discernimento é maior, a racionalidade acentua a meus pés e eu consigo reflectir com mais clareza, é tudo tão mais suave, mesmo que me pese na alma. De que vale um bater de coração por um outro que se dispersa em outras paragens?

Quem sou eu para mudar o curso da vida de alguém?

O fim de tarde é ameno, o sol bate-me no rosto docemente, o vento envolve-me na sua plenitude mas continuo a sentir o cheiro do vazio e o meu coração, de tão pequeno que ficou, bate descompassadamente e eu fumo cigarro atrás de cigarro, perco-me nas palavras e tento inalar o iodo que não me chega.

Que é isso do amor, que não existe, e que surge de uma paixão, aquele sentimento desmedido, qual nuvem passageira que se desfaz perto dos céus. 

Espero-te de qualquer maneira. Espero-te na ânsia de te viver agora, porque não sei se existe o amanhã e eu, eu que morro a cada despedida, não posso alimentar-me do futuro, daquele cada vez mais incerto, mais incógnito.

Sinto a paz por aqui, está tudo tão sereno.

Queria que chegasses de surpresa, de mansinho. Pudesse eu lançar-me nos teus braços, como uma criança indefesa que sente protecção num abraço.

Mas tu não estás.

E como poderias estar, se eu não te faço aproximar? Não sei, não consigo, sou verdadeira demais para tentar manipular-te, os jogos de sedução não são para mim, o que se sente diz-se e guarda-se. Guarda-se com os momentos, os gestos genuínos, o silêncio no olhar. Há beleza maior do que duas pessoas olharem-se sem palavras? E os sorrisos na imensidão dos corpos que se calam? Conseguem ser esquecidos? Não, não para mim.  

São demasiados cigarros, alguns martinis, mas o gemido do mar não é alucinação, existe. Se o ruído desvanecer, o cantar das ondas dar-se-á nas madrugadas. Há alento maior? Talvez o uivo dos lobos no ínfimo das montanhas ou o grito dos corvos que passam, inesperados, em qualquer lugar do mundo onde haja azul celeste. 

Podes esquecer-te (como te compreendo) mas como não poderei lembrar-te, a ti, que entraste com avisos que tentei ignorar e que se perpetuaram (maldita expressão, nada é eterno)?

Lembro-te desde Setembro, acredita. Lembro-te, como se fosse hoje, desse brilho no olhar naquela noite plena de Verão, durante a melhor festa a que se pode assistir, ou que se consegue viver.

Já ninguém fica para olhar as estrelas, já ninguém fica para ouvir o cantar do mar.

Mas eu fico, estou aqui, a escutar o ondular das marés nas madrugadas a chorar.

 

Quando estou contigo sou feliz. Mas baralhas-me os sentidos, tu. E neste tumulto que me agarra a ti, esperarei até que me prendas ou me largues. Definitivamente. 

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Um amor pela metade

Dizem que um grande amor nunca se esquece.

O que fica, então, de um amor vivido pela metade? O que sobra de um meio amor? Duplicam-se as sensações numa só alma, é o dobro da angústia, da agonia, resta a mágoa das memórias que não foram.

Que amor subsiste num coração que bate na distância, que quebra na nascença da ausência, morre na solidão que lhe merece? O autêntico, o supremo, aquele amor, o que vive das lágrimas perdidas no silêncio, do sangue derramado nas paredes de um quarto vazio e sem tecto.

Onde está o céu que se contempla de uma cama sem lençóis amarrotados? Não há pétalas de rosa em seu redor, as velas apagam-se na fuga do frio do soalho entorpecido pelos passos da demora.

Morrem as estrelas sorridentes numa madrugada quente de Setembro, são agora fantasmas do infinito.

                                                                                                                                                                                                    

1 de Setembro de 2014

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Um café e um cigarro

 

Procurei-te pela casa. Estavas na varanda como tantas vezes.

Acendeste um cigarro e fumaste-o enquanto bebias um café sofregamente. Voltaste a acender outro, mas deixaste-o ficar por entre os dedos até se extinguir na sua última chama.

Olhavas as pessoas que passavam ali perto, os carros que circulavam devagar, as casas lá ao longe na cidade.

Parei no quarto a ver-te, parecias-me triste, mas sentiste a minha presença e esboçaste um sorriso como sempre fazes.

Pediste para sentar-me a teu lado, pegaste na minha mão, acariciaste o meu cabelo com ternura e docemente, muito docemente, murmuraste amo-te tanto com a mais pura das verdades nas palavras.

O silêncio veio depois, ficaste a observar um par de namorados que andava alegremente de mãos dadas e olhaste para mim como uma criança abandonada.

- Sabes? Hoje lá no curso disseram-me que eu irradiava felicidade - disseste com um brilhozinho nos olhos - Mas sabes? Queria levar-te a sair, levar-te a jantar e não posso. Mas, se quiseres, levo-te a passear ao jardim, namoramos no meio da natureza e respiramos as cores que ela tem para nos oferecer. É tão bonita a sua essência.

E eu fiquei a pensar. Haverá sentimento mais belo do que este? Se existir será assim tão imenso, tão intenso, tão genuíno?

Se assim for, meu amor, estarei aqui até ao despertar dos teus silêncios.

 

 

imagem retirada de: http://weheartit.com

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • Ametista

  • Ametista

    Verdade... memórias que já não voltam Beijinho

  • Anónimo

    Palavras muito bem escritas, como sempre. Adorei. ...

  • Anónimo

    Ao ler-te, chorei...não consigo escrever mais nada...

  • Happy

    A saudade de pessoas a quem queremos ou quisemos b...

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