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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Feliz Natal

Há dez anos atrás, aquando do meu primeiro blog, escrevi um pensamento e dediquei-o a todos os meus visitantes.

Deixo-vos, assim, o desejo que tenho vindo a demonstrar em palavras. Para além de ser dirigido aos que me lêem, é dedicado a todos os que não podem ter um Natal melhor.

 

Que os vossos desejos

venham embrulhados de saúde

e envoltos em laços de carinho.

Que vos seja permitido acreditar

na realização dos vossos sonhos,

dia após dia.

 

Feliz Natal para todos!

por Leonor Teixeira, a Ametista

O sótão que era cor de rosa e o gato preto - Rewind

theBlackCat - theFword (2).jpg

  (Imagem encontrada algures há muito tempo sem referenciação de autor. Foi imagem de cabeçalho deste blog. Adoro)


Arrumei a ametista no fundo do baú guardado num canto da antiga sala de costura. Encerrei um capítulo de memórias vãs na urgência de esquecer. Fui em busca do meu nome e encontrei-o nas asas que perdi. Estavam presas aos ramos da árvore que conforta o meu velho sótão, outrora cinzento.
Pincelei as paredes de cor de rosa, o tecto, a janela, as portas, os móveis antigos. Inventei o céu da mesma cor em seu redor e voltei a voar.
O meu sótão é cor de rosa. Como são todos os meus sonhos.

 

 __________ / /__________

 

M. esperou dois mil e sessenta e cinco dias por alguém que, afinal, não conhecia.
Foi ao fundo do baú, guardado num canto da antiga sala de costura do velho sótão, agarrou na ametista, saiu de casa e lançou-a ao vento. Pensa que caiu ao rio e foi levada pelas tempestades. D. fora a maior (des)ilusão da sua vida e M. não encontrara o lugar da felicidade.
Mudou de nome e pintou o sótão de cinzento. Pincelou as paredes, o tecto, as portas, os móveis antigos. Abriu a janela, viu o céu da mesma cor e não conseguiu voar. As asas tinham voltado a prender-se aos ramos da árvore que ensombrava o velho sótão, outrora cor de rosa.
Enquanto varria a poeira do passado que estremeceu a sua vida, encontrou um gato preto junto ao baú, que olhava para ela como quem pede carinho maternal. Pegou nele ao colo, passeou com ele, comprou-lhe uma alcofa, educou-o e fez dele sua companhia. Quem sabe não lhe daria sorte, em vez daquele azar tão temido pelos supersticiosos mais convictos?
O nome do gato? Ainda hoje não tem, não vá o destino pregar-lhe mais alguma partida. Afinal, tudo tem a ver com nomes. M. chama-lhe, apenas, gato preto.

 

in "O Despertar dos Silêncios"

 

P.S. Este blog já se chamou No meu Sótão mora um Gato Preto

por Leonor Teixeira, a Ametista

do meu livro 'O Despertar dos Silêncios'

 

'Esta não é uma história de amor'

 

Estou aqui, sentada frente a um écran que outrora não fazia parte da minha vida e onde agora ficam expressas as minhas divagações, para quem as quiser ler.

Lembro-me que escrevia em folhas de papel timbrado ou nas sebentas da escola, umas vezes com lápis outras com esferográfica. Podia ser azul, preta ou encarnada, o importante era que escrevesse e assim nasciam as letras. E eu escrevia, escrevia sem parar, o meu pensamento flutuava em cada lugar que estivesse, tudo eram palavras que irrompiam e iam ficando desenhadas em rascunhos.

Ainda hoje guardo todas as folhas em que deixei escritos devaneios e desabafos, estão hoje amarelecidas como as antiguidades que se guardam num sótão qualquer, empalidecidas como o tempo vai deixando as nossas vidas.

Acendo um cigarro, eu não queria fumar aqui, mas o frio está cortante na minha varanda com vista sobre a cidade e dentro de casa há um aconchego que me prende, mesmo que amarelecidas fiquem as paredes deste recanto onde a música não pára de tocar e o relógio suspenso se repete no seu compasso apressado.

Recordo o tempo em que escrevia até amanhecer, adormecia quando a vida começava lá fora e a agitação das ruas era a minha tranquilidade. Refugiava-me no conforto dos lençóis e ia acordando, ora com a chuva a cair nas pedras da calçada ora com raios de um sol caloroso, enquanto as palavras surgiam subitamente no meu pensamento e me levantava para deixá-las escritas, não fosse eu esquecê-las durante o sono, sentir a minha imaginação em branco ao acordar.

Vivia entre palavras e pinceladas. Palavras que se soltavam ao palpitar da alma e pinceladas que deixava em cada tela, com cores, muitas cores, aquelas com que quis tingir a minha vida. E assim soltava os meus fantasmas, amava por entre as lágrimas que escorriam sobre as letras que fazia despertar, amava a cada palavra que se erguia dos trechos que ia construindo. Amava a cada misto de cores que colocava na tela e a cada nascer de cenários abstractos e paisagens, aquelas que inventava. 'Assim posso chorar porque ninguém vê, ninguém sabe quem sou', pensava eu.

Tudo eram histórias de amor, essa palavra repetida que deixava rastejar pelo papel, sempre marcada no topo de cada folha em branco, chorada em cada virar de página, gravada em cada tela pincelada.

Mas o vento foi mudando de rumo a cada instante dos meus dias e, hoje e agora, eu já não quero escrever histórias de amor.

Quero continuar a escrever, a escrever sem parar todas as horas da minha existência, mas histórias onde o amor é palavra proibida e a dor não pode entrar.

Quero continuar a sonhar, mas com um sorriso, por entre as gotas de tinta de uma caneta quase extinta, como que num fogo apagado pela coragem de quem arrisca o destino por cada sopro de vida, cada coração que não pode parar de bater, mas sem descrever uma única história de amor.

Quero perder-me no reino da essência das coisas, sentar-me no seio da beleza que cai em redor das cidades e parar no tempo. Deitar-me na areia de uma praia qualquer e implorar à linha do horizonte que o céu e o mar se beijem a cada pôr de sol.

Quero adormecer submersa e, através das águas cálidas de um oceano sereno, ver o céu tornar-se azul a cada alvorada. Quero alcançar as estrelas como nas histórias que escrevi, transformar-me em pássaro, ter asas púrpura de veludo, rosto de lobo, alma cigana, coração de aço e subir à nuvem mais branca e doce.

Quero permanecer assim, como sempre fui. Rebelde, sempre rebelde, com sede de liberdade, com urgência de soltar o grito escondido que trago bem preso no ventre, mas sem chamar pelo amor nas minhas preces.

Quero continuar com esta vontade de lutar e vencer ou sair vencida, mas lutar sempre e até sempre. Ser eu, sem medo de demonstrar quem fui, quem sou, o que sei e o que não sei, quem gostaria de ser. Simplesmente genuína, a transbordar de um desejo desmedido de dançar sobre as páginas do livro de histórias que escrevi, tocar o céu e beijar a lua, esconder-me no seu colo.

Tudo em mim é imensurável. O meu amor às letras, a minha rebeldia para deixar falar mais alto a minha alma, a minha força para gritar no silêncio das palavras até me doerem os dedos.

É imensamente grande a minha vontade de abraçar todos os livros de poesia, aqueles que dormem na biblioteca do jardim da avenida onde, há muito tempo atrás, arrumei nas prateleiras para descansarem do desfolhar sôfrego em dias de correria. A minha sede de devorá-los com as mãos e com os olhos é tão maior, é uma ânsia que me arrepia a pele do tanto que quero ler e conhecer, do tanto que quero saber sobre os poetas que esquecem o mundo por amor às palavras e deixam no papel, cantadas em verso, as mais belas histórias nunca antes lidas.

E é imensurável, oh se é, a minha capacidade para sonhar acordada e acreditar, para depois desacreditar. É assim que sou. Mas já não quero histórias de amor.

Volto à varanda com vista sobre a cidade, quebrou-se o frio das madrugadas, observo as luzes que se acendem no ocaso e admiro a beleza que brota do esplendor que emanam depois do crepúsculo. Avisto silhuetas ao longe que passeiam, carros que circulam devagar num silêncio apagado pelo canto de uma cigarra que surge como numa noite quente.

Eu quero escrever cada momento, quero escrever sem parar. Conseguir descrever na perfeição o suspiro de um coração liberto e o brilho de um olhar que agradece o privilégio do despertar a cada manhã. Quero descrever em pormenor o momento em que o sol entra na minha vida para me abraçar, qual alma vazia que se preenche ao esquecer a palavra amar.

Fui deixando escritos, ao longo dos tempos, sentimentos de alma, esboços de uma vida, aqueles que se choram e deixam saudade.

Histórias, memórias, momentos, sonhos que foram ficando guardados, envoltos num laço de cordel, nas gavetas do meu sótão cor de rosa, espero que para sempre.

Mas já não quero escrever mais histórias de (des)amor.

 

Cúmplices. Eu e as palavras.

 

in "O Despertar dos Silêncios"

por Leonor Teixeira, a Ametista

Mudei o nome ao blog (outra vez)

Voltei a mudar o nome ao blog. Nada de invulgar, ao fim de quase nove anos de blogosfera. Eu, que já alterei por diversas vezes o título ao meu cantinho (e já não é nada de novo para quem me conhece), passo a ser "Never grow up". É por estas e por outras que não me permito crescer. 

Criança, sempre.

por Leonor Teixeira, a Ametista

Instante

Quero ficar contigo, apenas de vez em quando. Isso basta-me. Porque o de vez em quando pode ser para sempre e o sempre, para mim, é muito pouco. Porque encurta-se a vida, nos anos expostos nos relógios que se apressam na demora de viver.

Pois eu já cumpri essa parte, já vivi, e o que sobra é tão pequeno. Dizem-me as horas que é preciso acabar num instante, para depois seguir viagem na solidão que nos transporta ao mistério do lugar.

E tu, tu és o meu instante.

 

P.S. Faltas-me. Faltas-me nesse sorriso que te cala e no silêncio que te move. 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

O meu livro e a Chiado Editora

Iupi!!!

O meu livro de histórias vai ser editado :)

Enviei a obra para a Chiado Editora e eles vão publicar. Eu nem acredito. Estou em êxtase!

Desde que iniciou o ano, trabalhei afincadamente no livro. Foi um reunir de histórias escritas entre 2009 e 2013 e dividi-las por temas, colocá-las por ordem cronológica, formatar o ficheiro e corrigir o necessário, escolher título e subtítulo, fotografia para capa e contracapa, escrever introdução, breve biografia e algumas notas... Uff! Foi tudo muito rápido e demasiado trabalhoso. Mas dediquei-me inteiramente a este projecto e, a cada dia, perdia-me nas horas.

Depois da edição do meu pequeno livro de poesia branca - Asas Perdidas - em 2009 tenho a esperança de que, desta vez, vá um pouco mais além. Digo isto porque, e quem me conhece sabe disso, sempre fui uma péssima divulgadora.

Mas, agora, a minha vida mudou e tudo será diferente. Não vou parar.

O contrato está assinado, os ficheiros já estão na editora e agora é esperar que este meu sonho se concretize. Quando o livro sair e tiver a data do lançamento aviso, sim?

Obrigada a quem me deixou, sempre, palavras de apreço e acredita em mim. Obrigada à Chiado Editora.

Estou imensamente feliz!

por Leonor Teixeira, a Ametista

Esperança rubra

(imagem retirada de google imagens)

 

Fecho a porta do meu sótão e olho em meu redor. Por entre o cor de rosa das paredes, do tecto, da janela, das portas e dos móveis, pinceladas escarlate escorrem devagar. Tulipas, rosas e cravos vermelhos abundam o chão. Enfeito os meus cabelos, visto-me de flores e danço nos meus sapatos encarnados.

É o início de uma nova era. Consigo sentir o cheiro a liberdade, é tão grandiosa, tão imensamente bela que a cor cálida que mora agora neste canto depara-se com o rubro do meu coração.

Sinto um alívio arrepiante, há uma serenidade quase transcendental que se aconchega a mim e toca a minha alma que ganha corpo e se envolve em aromas purificantes, outrora desmaiados pela perda.

Tudo começa a fazer sentido depois das lágrimas, ocultas, derramadas em todos os meus silêncios, apertos de peito na ausência da coragem que pensava inatingível. Aquela que hoje chama por mim, canta o meu nome e me abraça a declamar.

Tirei as algemas, quebrei as correntes que me arrastaram durante anos a fio. Há um sorriso no meu rosto que se rasga e ganha asas, abre a janela do meu sótão e sobrevoa os jardins que sempre sonhei.

E continuo nesta dança intensa, que não me vai fazer parar em momentos de incerteza. Porque certa é a urgência do não querer e ao fundo do corredor do meu sótão, que já tem a marca dos meus passos, há um caminho. Tem brilho e é da cor do meu sangue.

 

 

Desejo a todos os que espreitam o meu sótão um Feliz Ano Novo.

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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não copie ou altere; respeite os direitos de autor

índice.jpg

comentários arrecadados

  • Ametista

    Não adianta muito, porque há quem não respeite. E ...

  • Anónimo

    Tenho o livro " Asas perdidas " de sua autoria e g...

  • Ametista

    O que se consegue fazer hoje em dia...Beijinho

  • Happy

    O desenho é fantástico!

  • Ametista

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