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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Basta!

Basta, peço-te. Tenho urgência em libertar-me das memórias que te pertencem.

Sabes que só se vive uma vez em consciência plena e que um dia tudo se torna tardio e ilógico.

Parece-me, por vezes, que esqueço que a era da fantasia acabou e que é tempo de fechar o baú de todas as incertezas. Mas agora, finalmente, estou certa de que tudo não passou de uma ilusão sem limites.

Basta, grito-te agora. Porque já não importa apenas pedir-te. Basta deste tormento que me corroeu a alma. O coração, esse que arrancaste de mim, já não bate por ti (nem por ninguém). Deixei de te amar. Pura e simples(mente).

Podes ter roubado o meu coração, mas não conseguiste levar a minha alma.

Foste a pior história que me aconteceu.

por Leonor Teixeira, a Ametista

Consegues ouvir-me? Já não espero por ti.

 

Consegues ouvir-me? Estou aqui, à tua espera, como um pássaro que baloiça na ânsia de um canto de voos leves.

Consegues ver-me? Estou aqui, no meio do tempo, à espera que o passar dos anos me faça chegar até ti.

Consegues sentir-me? Estou em todos os lugares, procuro-te onde não estás e danço no esconderijo onde guardámos os nossos sentidos.

Abro a janela do meu recanto de par em par, acendo um cigarro e contemplo a noite num silêncio.

O balançar das folhas nas árvores faz-me acreditar no que de tão imensamente belo as estrelas têm para me contar. É nelas que deixo o sinal da minha espera, segredo-lhes memórias, descrevo histórias, pincelo sonhos.

Acendo uma vela, a minha voz perde-se num eco mudo e eu choro o que não vivi.

Quero esquecer-te. Quero esquecer-te no cair das chuvas.

Aprisionas-me as palavras e eu?, deixo-as cair no abismo dos meses seguintes. Tanto que tenho para dizer-te, meu amor desamparado. São doces, as palavras, mas sufocam na angústia que carrego antes da minha luta pela liberdade. E eu esqueço-as, fogem-me da memória, como perco a lembrança de ti noutras estações.

Sim, quero esquecer-te. No regresso dos ventos e na revolta das marés.

Quero arrancar-te da minha pele, expulsar-te da minha alma com a força dos meus gritos que se soltam. E, ao lembrar-te, avisto um lugar em ruínas sem morada assinalada, sombrio e sem rumo, como os Outonos que vivi com a tua ausência. 

E esqueço-te.

Afasto de mim o teu fantasma e largo-te na estrada. É fria e cheia de nada, como a que percorri nos Invernos em que te amei. Lembras-te?

Pois, mas esqueço-te finalmente. Abandono-me de ti e, na partida, levo comigo a serenidade das Primaveras e o calor dos Verões que trago no corpo.

Estou de alma plena, vazia de ti, neste doce amanhecer de estrelas cadentes.

E já não espero por ti.

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Palavras para uma imagem - Salão de Baile

  

Moulin de la Galette (1889), Toulouse-Lautrec

 

Os sonhos morreram.

Como se o mundo acabasse no instante, como se o céu caísse sobre os campos e as nuvens flutuassem nos rios. Como se o sol empalidecesse e chorasse, queimando as árvores que crescem e as flores que nascem, secando as águas que correm devagar.

Como se parassem os relógios, terminassem as tardes e as noites surgissem nas manhãs. Como se já não houvesse lua e o chão mergulhasse numa sombra.

Como morrem as palavras. Como se as letras fugissem, desordenadas, dos livros em branco pelas histórias esquecidas. Como se os olhos já não lessem e as mãos já não tocassem nas páginas que ficaram.

Como se os bosques encantados perdessem a magia e as florestas se despissem pelo cessar da vida. Como se os lobos deixassem de uivar e os pássaros ficassem sem asas para voar.

O meu sonho morreu.

Como se os anjos despertassem sobre a terra, como se o luto mudasse de cor e os homens se vestissem de branco. Como se o destino fosse interrompido e os fantasmas dominassem o universo.

Resta-me dançar, de alma pequena mas de corpo inteiro. Como se dançasse num salão de baile, onde as gentes se escondem num atropelo para escapar aos dias mortos. Sucumbem, por entre conversas de silêncio inacabadas e passos de dança frenéticos. E bailam, bailam até ao fim das horas, de olhar vago e sem sorrisos porque a vida fugiu com os sonhos apagados.

Com o meu sonho morreu a minha alma, mas também eu dançarei sofregamente até que o meu corpo tombe e adormeça.

 

 

(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Um dia, quando...

 

Um dia, quando o céu chorar e os anjos caírem eu quero estar lá, bem perto do infinito, para apanhar uma estrela e guardá-la junto à chave que encerrou a minha história.

Um dia, quando se calarem todas as vozes do mundo eu quero estar lá, nos lugares que foram meus, para gritar cada palavra que inventei para o meu último capítulo.

Um dia, quando pararem todos os relógios e o tempo ficar suspenso eu quero estar lá, no vazio das épocas, para suavizar o peso dos anos apressados e a contagem dos dias mortos.

Um dia, quando se aproximarem do fim todas as coisas eu quero estar lá, no princípio do mistério de tudo, onde se erguem as derrotas e das ruínas se elevam vitórias.

Um dia, quando a vida se fundir no silêncio e a morte se cruzar com o sonho eu quero estar lá, no meio das sombras que vagueiam, para submergir nas utopias.

Um dia, quando os lobos uivarem para lá das cidades e um corvo vier, de onde moram os poetas já sem vida, com uma carta escondida na asa assinada por mim, significa que morri.

E nesse dia, quando eu morrer, não quero lágrimas nem luto.

Quero que as almas que ficarem do que restou da glória me lancem em mar alto num verso branco, lá, onde segredo nenhum é desvendado e tudo se transforma em poesia.

E ao longe, bem distante, quero escutar o cântico de um bando de gaivotas a sobrevoar as dunas, no mais sublime sinal de liberdade.

 

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

o Fim de Nós

 

Querido Duarte,

 

Eu quis ir ao teu encontro, mas voltaste a fugir.

Contigo descobri que não temos a mesma alma. A tua escapou por entre as vísceras do teu coração arrefecido.

Ensinaste-me que não faço parte de ti. E tu não poderás fazer parte da minha vida.

Contigo aprendi que nem o mais grandioso dos amores pode juntar duas pessoas que não têm o mesmo sonho, que não dançam a mesma música. Mesmo aquela que escutam em perfeita sintonia. Não é livre um amor assim.

A nossa música deixou simplesmente de tocar. É hora de esquecer o que não fomos. Ficaram os retalhos perdidos no chão de uma vida apenas. A outra vida és tu e não me pertence.

Fechei o meu coração. Lancei a chave às águas de um rio que corre veloz debaixo da ponte que separa as nossas vidas. Não há retorno. O meu coração está selado.

Mas a minha alma continua a dançar e consegue libertar-se num voo sem limites. E as palavras esperam por mim em volta de uma fogueira numa noite de luar.

E eu não vou fazer soar o teu nome.

 

Laura

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • DyDa/Flordeliz

    Já estive aqui .Li, e...Parti. Faltaram-me palavra...

  • Ametista

    Obrigada, Green Beijinhos

  • green.eyes

    As saudades que eu tinha dos teus textos …Beijinho...

  • Ametista

    Obrigada, Gaffe, pela visita. E sim, um sótão acon...

  • Gaffe

    Às vezes, um sótão luminoso como este, substitui o...

esconderijos do sótão

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