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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O sótão que era cor de rosa e o gato preto - Rewind

theBlackCat - theFword (2).jpg

  (Imagem encontrada algures há muito tempo sem referenciação de autor. Foi imagem de cabeçalho deste blog. Adoro)


Arrumei a ametista no fundo do baú guardado num canto da antiga sala de costura. Encerrei um capítulo de memórias vãs na urgência de esquecer. Fui em busca do meu nome e encontrei-o nas asas que perdi. Estavam presas aos ramos da árvore que conforta o meu velho sótão, outrora cinzento.
Pincelei as paredes de cor de rosa, o tecto, a janela, as portas, os móveis antigos. Inventei o céu da mesma cor em seu redor e voltei a voar.
O meu sótão é cor de rosa. Como são todos os meus sonhos.

 

 __________ / /__________

 

M. esperou dois mil e sessenta e cinco dias por alguém que, afinal, não conhecia.
Foi ao fundo do baú, guardado num canto da antiga sala de costura do velho sótão, agarrou na ametista, saiu de casa e lançou-a ao vento. Pensa que caiu ao rio e foi levada pelas tempestades. D. fora a maior (des)ilusão da sua vida e M. não encontrara o lugar da felicidade.
Mudou de nome e pintou o sótão de cinzento. Pincelou as paredes, o tecto, as portas, os móveis antigos. Abriu a janela, viu o céu da mesma cor e não conseguiu voar. As asas tinham voltado a prender-se aos ramos da árvore que ensombrava o velho sótão, outrora cor de rosa.
Enquanto varria a poeira do passado que estremeceu a sua vida, encontrou um gato preto junto ao baú, que olhava para ela como quem pede carinho maternal. Pegou nele ao colo, passeou com ele, comprou-lhe uma alcofa, educou-o e fez dele sua companhia. Quem sabe não lhe daria sorte, em vez daquele azar tão temido pelos supersticiosos mais convictos?
O nome do gato? Ainda hoje não tem, não vá o destino pregar-lhe mais alguma partida. Afinal, tudo tem a ver com nomes. M. chama-lhe, apenas, gato preto.

 

in "O Despertar dos Silêncios"

 

P.S. Este blog já se chamou No meu Sótão mora um Gato Preto

por Leonor Teixeira, a Ametista

O sótão que era cor de rosa e o gato preto

Laura esperou dois mil e sessenta e cinco dias (aproximadamente) por alguém que, afinal, não conhecia.

Foi ao fundo do baú, guardado num canto da antiga sala de costura do velho sótão, agarrou na ametista, saiu de casa e lançou-a ao vento. Pensa que caiu ao rio e foi levada pelas tempestades. Duarte fora a maior (des)ilusão da sua vida e Laura não encontrara o lugar da felicidade.

Mudou de nome e pintou o sótão de cinzento. Pincelou as paredes, o tecto, as portas, os móveis antigos. Abriu a janela, viu o céu da mesma cor e não conseguiu voar. As asas tinham voltado a prender-se aos ramos da árvore que ensombrava o velho sótão, outrora cor de rosa.

Enquanto varria a poeira do passado que estremeceu a sua vida, encontrou um gato preto junto ao baú, que olhava para ela como quem pede carinho maternal. Pegou nele ao colo, passeou com ele, comprou-lhe uma alcofa, educou-o e fez dele sua companhia. Quem sabe não lhe daria sorte, em vez daquele azar tão temido pelos supersticiosos mais convictos?

O nome do gato? Ainda hoje não tem, não vá o destino pregar-lhe mais alguma partida. Afinal, tudo tem a ver com nomes. Laura chama-lhe, apenas, gato preto.

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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