Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Um dia, quando...

 

Um dia, escrevi este texto. Quase três meses depois, transformei-o em poema para participar no concurso V prémio de poesia em rede.

Hoje, está exposto no corredor do meu hospital num cantinho da revista da casa de pessoal do mesmo, da qual sou sócia e colaboradora.

Quero, agora, partilhá-lo convosco.

 

 

Um dia, quando o céu chorar e os anjos caírem
eu quero estar lá, bem perto do infinito
para apanhar uma estrela e guardá-la junto à chave
que encerrou a minha história.
Um dia, quando se calarem todas as vozes do mundo
eu quero estar lá, nos lugares que foram meus
para gritar cada palavra que inventei
para o meu último capítulo.
Um dia, quando pararem todos os relógios
e o tempo ficar suspenso
eu quero estar lá, no vazio das épocas
para suavizar o peso dos anos apressados
e a contagem dos dias mortos.
Um dia, quando se aproximarem do fim todas as coisas
eu quero estar lá, no princípio do mistério de tudo
onde se erguem as derrotas
e das ruínas se elevam vitórias.
Um dia, quando a vida se fundir no silêncio
e a morte se cruzar com o sonho
eu quero estar lá, no meio das sombras que vagueiam
para submergir nas utopias.
Um dia, quando os lobos uivarem
para lá das cidades e um corvo vier
de onde moram os poetas já sem vida
com uma carta escondida na asa assinada por mim
significa que morri.
E nesse dia, quando eu morrer,
não quero lágrimas nem luto.
Quero que as almas que ficarem do que restou da glória
me lancem em mar alto num verso branco
lá, onde segredo nenhum é desvendado
e tudo se transforma em poesia.
E ao longe, bem distante, quero escutar
o cântico de um bando de gaivotas a sobrevoar as dunas
no mais sublime sinal de liberdade.

 

 

3 de Janeiro de 2011

por Leonor Teixeira, a Ametista

Tudo e Nada

 

Por ti sinto tudo e o que não sei,

contigo sinto tudo e sinto nada,

sem ti não sinto nada e nada sei,

o tudo e o nada são tudo o que não sei

e o que te sinto...

Sinto-te através da lua,

confidente que me escuta e compreende,

que me ajuda a libertar dos meus fantasmas...

Sinto-te através do ribeiro que corre a meus pés,

me dá água para matar a sede,

aquela que tenho de ti...

Sinto-te através do chão que piso e me faz levitar,

aquele que me deixa o teu cheiro

para te respirar...

Sinto-te através daquilo que não sei,

daquilo que te reconheço e não conheço,

daquilo que te quero e te confesso...

Sinto-te e perco as palavras, fico muda,

olho-te e deixo de ver, fico sem luz,

suspiro-te e perco os meus sentidos...

Respiro-te, vivo-te, é o tudo e o nada,

é o até sempre sentir-te...

Busco-te no teu lugar,

trago-te até aqui, vivo-te por aí...

Guardo-te em cada espaço que te sinto,

num sítio qualquer...

Sonho-te e caminho contigo

de mãos dadas num compasso acertado...

Sento-me contigo na areia,

navego contigo no barco que te inventei,

no cenário de um mar que te criei...

Sinto-te e eternizo-me em ti, em tudo e em nada,

E neste tudo e nada que não sei e que te sinto,

perco-me em ti e perco-te a ti...

 

 

 

(Poema escrito em 16 de Fevereiro de 2009) in Asas Perdidas

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

queres entrar?

os meus livros queres comprar?

ametistaleonor

ametistaleonor

não copie ou altere; respeite os direitos de autor

índice.jpg

comentários arrecadados

  • Ametista

    Oh Flor, obrigada. Deixas-me sempre palavras tão b...

  • DyDa/Flordeliz

    Já estive aqui .Li, e...Parti. Faltaram-me palavra...

  • Ametista

    Obrigada, Green Beijinhos

  • green.eyes

    As saudades que eu tinha dos teus textos …Beijinho...

  • Ametista

    Obrigada, Gaffe, pela visita. E sim, um sótão acon...

arquivos mais comentados

esconderijos do sótão

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

IMG_20151228_150612.JPG