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O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Dos sonhos

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(Imagem retirada de: google imagens)

 

- Não desistas dos teus sonhos. Corre atrás deles até não poderes mais. Nunca te acomodes só porque a vida te tornou confortável. Assim, um dia vais chorar por um aconchego que não te oferece a felicidade que tanto anseias. Preferível ser feliz mesmo sem conforto do que amparada mas amargurada.

- Sim, mãe. Tens razão. Mas haverá razão para eu sonhar, se a vida é tão frágil e o mundo me parece tão pequeno? Onde caberei eu e todos os meus sonhos?  Mãe, haverá lugar para mim no universo?

- Lugar há, minha querida. Não sei é se conseguirás, um dia, reclamá-lo como sendo teu.

por Leonor Teixeira, a Ametista

A um amigo

Há alegrias e tristezas que se fundem e tudo se transforma. É um turbilhão de emoções que nasce e surgem as incertezas.

Eu quero estar em todos os lugares, ficar com quem me é querido mas o tempo é ingrato e não dá permissão a tudo.

Desejo força a quem está a passar por momentos demasiado difíceis. Isso, sim, é o mais importante.

 

 

a um amigo

por Leonor Teixeira, a Ametista

Ontem e Hoje

 

Ontem, adormeci com medo. Hoje, acordei com uma sensação de nada.

Ontem, o meu pensamento estava em grande agitação. Hoje, sinto angústia mas o vento não sopra.

De ontem para hoje não sei o que perdi, mas sei que ganhei uma razão.

E da perda e da conquista que não consigo decifrar, ficou um vazio cheio daquilo que ainda não sei...

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Máscaras de vida

(Palavras para uma imagem)

 

Sara era executiva numa empresa da área de publicidade localizada numa agradável cidade provinciana. Bem sucedida na vida, morava numa imponente vivenda primorosamente decorada e com um amplo espaço verde no exterior, onde predominavam árvores de frutos variados em volta de uma aprazível piscina.

Logo pela manhã e depois de um duche para despertar, tinha por hábito tomar um delicioso pequeno almoço e preparar-se minuciosamente para mais um dia de trabalho.

Bonita e sempre vestida com um bom gosto invulgar mas discreto, a sua postura social era perfeita. Constantemente em reuniões de negócios, encantava os presentes com discursos inteligentes e persuasivos.

Ao final do dia, aquando da sua chegada a casa, tinha sempre o jantar preparado pela empregada doméstica, mulher de sua inteira confiança. A mesa de refeições encontrava-se diariamente bem ornamentada, onde lhe eram servidos cozinhados tentadores.

No fim da refeição, Sara subia até ao quarto sito no primeiro andar da casa. O jacuzzi colocado no meio da espaçosa casa de banho privativa era o seu local preferido para relaxar de um dia repleto de responsabilidades.

Naquela noite fria de Dezembro e depois de aliviada a tensão profissional através de um longo banho com sais perfumados, abriu o roupeiro com um espaço desmedido onde se encontravam, de um lado os seus conjuntos clássicos de muito bom gosto e do outro vestidos ousados e com cores berrantes, próprios para noites de luxúria excessiva.

Escolheu o encarnado, bem decotado e curto, que fazia sobressair as sua longas e bem delineadas pernas. Optou por umas botas pretas de cano e tacão exageradamente altos, que calçou por cima de umas meias rendilhadas em tons vermelho e preto.

Sentou-se frente ao espelho situado a um dos cantos do quarto e colocou uma longa cabeleira loura. Alongou as pestanas com rímel preto, cobriu as pálpebras com sombras lilás e azul e pintou os lábios de vermelho vivo. Finalmente, colocou umas unhas postiças encarnadas e compridas.

O telefone tocou por diversas vezes, mas Sara não atendeu. Do lado de lá, alguém deixou uma mensagem no voice mail:

'Olá, Sara. É o Miguel. Calculo que não possas atender, porque provavelmente tiveste mais uma reunião de negócios pós laboral. Não achas que andas a trabalhar demais? Escuta... almoçamos amanhã? Beijo'.

Sara desceu a escadaria imponente e parou no hall de entrada, vestiu o casaco de pele preto e saiu de casa. Dirigiu-se à garagem onde estavam estacionados dois carros, um que costumava levar para o emprego e outro que utilizava para se deslocar pela noite dentro.

Conduziu até àquela cidade que ficava a bastantes quilómetros de sua casa e estacionou na avenida que lhe era totalmente familiar. Andou quinhentos metros e parou no local habitual, onde algumas outras mulheres exibiam os seus corpos seminus e se ofereciam ao primeiro homem abastado que parasse em qualquer veículo luxuoso.

Pouco tempo depois de Sara ter chegado, um carro aproximou-se e estacionou junto ao passeio. Do seu interior, conseguia ver-se apenas uma mão que apontava na sua direcção e Sara caminhou até lá, entrou no carro e disse:

- Sou a Verónica. Conheço uma hospedaria perto daqui. Podemos ir até lá.

- Esta voz é-me familiar...

O homem que se encontrava ao volante olhou para Sara e incrédulo deixou soar um nome.

- Sara...?

- Miguel...? - ela pronunciou o nome dele num tom de voz trémulo.
Sara baixou a cabeça e sem conseguir proferir uma palavra saiu do carro. Miguel arrancou em alta velocidade.

 

 

(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Sem pés, nem cabeça

Era um namoro que vinha de há longo tempo. Ele, sedutor e impulsivo. Ela, bem sucedida na vida e possessiva. Um dia, ela foi-lhe infiel com um amigo comum e a relação acabou ali, depois de uma cena de pancadaria entre os dois rapazes no café da praça central da cidade.

No tempo em que estiveram separados o descontrole dele era excessivo, tendo por hábito juntar-se aos amigos para conviver e beber uns copos e cuja consequência era meter-se em sarilhos. Tê-la perdido era presença constante no seu subconsciente e, sob o efeito do álcool, tornava-se rancoroso e bastante violento atacando tudo e todos os que se lhe dirigissem, fosse de que forma fosse.

À parte disso, era um excelente amigo, óptimo conversador e bastante divertido. Apesar de tudo, tomava consciência das suas atitudes nefastas tanto que, no dia a seguir aos desacatos cometidos, tinha sempre a preocupação de pedir desculpa às 'vítimas' das suas atitudes violentas.

No fim de várias imprudências por parte dele voltaram a juntar-se, quão grande era o que sentiam um pelo o outro. Mas depois da reconciliação, era rara a ocasião em que não discutissem através de palavras ofensivas. No café, no restaurante, na discoteca, fosse onde fosse, estivesse quem estivesse. No início de uma noite com os amigos tudo corria na perfeição, mas a partir do momento em que ele não largava o copo ou a garrafa, ela dava início às suas teorias repetindo sempre as mesmas frases até ele ficar insano. Interiorizava as contendas e perdia a cabeça, desaparecendo pela noite dentro até de manhã e envolvendo-se em actos de desvario.

Ela, sempre determinada, aparentava perante os amigos que as coisas iam de vento em popa, desempenhando na perfeição o papel de namorada compreensiva, mas sempre possessiva. Ele, eterno conquistador de corações alheios mas 'dedicado à sua amada', era-lhe infiel sempre que surgia uma oportunidade. Sentia, no entanto, arrependimento no dia seguinte à infidelidade cometida.

Um dia, decidiram juntar os amigos e comunicar que iam viver juntos. Eis que surgiu a decisão de ela deixar a casa dos pais e juntar-se ao homem da sua vida. Ele, habituado a ter o seu espaço e sempre boémio ao longo da sua vida, iniciou uma fase de 'homem da casa' submetido às 'ordens' da namorada. Porque, como ela própria confessou aos amigos, as tarefas domésticas não são propriamente o seu forte, por isso há que 'dividir tarefas' e, enquanto ela trabalha até altas horas da noite em diversas cidades do país, ele 'põe a casa em ordem'.

Apesar de toda esta estranha forma de viver a dois, ele sempre nutriu por ela um sentimento de apego total, doentio até, sentindo-se altamente dependente do seu amor. Ela não vive sem ele, mesmo tendo noção de que a relação que mantêm até hoje é tudo menos saudável.

 

Que amor é este, afinal, em que estão presentes a infidelidade, a discórdia, o contrasenso, a falta de confiança, a possessão, a submissão, a violência verbal e tudo o que não pode existir numa relação? Será amor o que sentem um pelo outro?

Se for é, sem dúvida, um amor sem pés nem cabeça.

 

 

(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)

por Leonor Teixeira, a Ametista

Quando a música deixou de tocar

Enquanto te amar, ouvirei sempre a mesma música...

Quando ela deixar de tocar, esqueci-te para sempre...

 

Disse Laura, tantas vezes, enquanto se olhava ao espelho antes de dormir.

 

E, naquele romper do dia, acordou de mais uma noite inquieta. Levantou-se, dirigiu-se à janela do quarto e parou. Afastou o cortinado que encobria, muito ao de leve, a luz vinda do exterior. Desviou suavemente os cabelos do rosto e olhou lá para fora. O sol parecia espreitar, meio escondido, através das nuvens. Contemplou a serra que avistava ao longe e respirou o ar da manhã. Deixou-se ficar no silêncio que lhe era permitido...  

 

E a música não tocou...

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Ponto e vírgula

 

Não gosto de conversas inacabadas, de dúvidas, dos quês e os porquês.

Não gosto de respostas confundidas, argumentos duvidosos e atitudes enganosas.

Não gosto de incertezas, equívocos, deturpações. Não gosto de mentiras.

Não gosto de assuntos encerrados com ponto e vírgula.

Gosto de ponto final, parágrafo.

 

E vire-se a página.

 

por Leonor Teixeira, a Ametista

Grito!

 

Este é o meu grito!

Basta!

Basta de saudosismos, nostalgias, romantismos!  Chega de tristezas, revoltas e lágrimas! Basta de negativismos, sentimentalismos, pessimismos! Chega de instantes, devaneios e ilusões! Acabem-se as insónias, os pensamentos, as utopias! Basta de ausências, de recordações, de divagações!

Basta de absurdos! Chega de lamechices!

Varri a poeira.

Gritei!

 

Estava a precisar, não estava?

por Leonor Teixeira, a Ametista

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

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comentários arrecadados

  • Ametista

    É verdade... e que 'velha guarda'. Era maravilhoso...

  • green.eyes

    Eu acho que 95% da "velha guarda" foi embora…Do no...

  • Ametista

    Ficava aqui para sempre, acreditas? Mas há amigos ...

  • green.eyes

    Já não aparecias a tanto tempo, que já pensava que...

  • Ametista

    Eu vi-te Beijinho grande

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