Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

O meu sótão é cor de rosa

Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T.

Até um dia, velho amigo

Há nove anos atrás pedi que voltasses depressa para nós:

 

Perdeste-te nos dias e ficaste do outro lado da vida. Não sei se voltas.

Fico deste lado entre lágrimas e sorrisos. São lembranças dos tempos de outrora que não se repetem. Passam os anos, separam-se as gentes da terra que nos viu crescer.

Onde ficámos nós? Afectos conquistados, laços construídos, momentos partilhados deixados para trás. Abro o álbum de fotografias e sinto uma angústia quase insuportável. As lágrimas caem e a alma dói. São vidas separadas por um destino incerto, viagens marcadas para lugares diferentes.

E choro. Choro por ti e por quem te guarda no coração. Choro, porque não consigo alcançar um sinal de esperança. E morrem os dias na agonia de nada poder fazer.

Tens de voltar, tens de viver. Há tanto que ainda tens por sonhar.

Espero o teu regresso, acendo uma vela e rezo por ti. Nas minhas preces reclamo o teu nome, imploro a tua vida.

 

Mas não regressaste, ficaste no intervalo, e hoje foi o dia do último adeus. Voltaram as memórias e são tantas, tantas, tantas. Vou guardá-las junto à saudade.

Espero que possas, finalmente, descansar.

a um velho amigo

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Parar o tempo

Se eu pudesse parar o tempo pararia num dia primaveril soalheiro, onde os sorrisos de família entravam pelo alpendre com o chilrear dos pássaros nas manhãs e o cheiro a flor de laranjeira.

Se eu pudesse voltar atrás, bem lá longe nos anos, voltaria num fim de tarde de Verão para buscar as alegrias de criança na roupa suja acabada de brincar.

Se eu pudesse, ai se eu pudesse voltaria aos dias de teatro nos quintais, às partidas no sótão cor de rosa e às escondidas no olival para lá dos canteiros.

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Rewind

Estive a fazer um 'rewind' das últimas semanas (ou das últimas décadas) e pensei:
Atingi a felicidade na sua plenitude. Concretizei um sonho que pensava inatingível.
Mas há algo que me detém. É a saudade imensa de estar perto de quem fez e faz parte da minha vida, de quem entrou e permaneceu, de quem chegou e saiu de rompante dos meus dias e, essencialmente, de quem precisa de agarrá-la - a vida - com todas as suas forças.
A ausência e a distância são terríveis, se bem que colmatadas por gestos de carinho e palavras de apreço que surgem docemente.
Há pessoas que estão na minha alma e sempre estarão. Como eu costumo dizer: sempre e até sempre. Penso que sabem quem são.

 

P.S. Hoje há uma sensibilidade desmedida a morar dentro de mim.

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

P.S. I miss you

 

Às vezes, lembro-me de ti. Minto. Não só às vezes, mas muitas vezes, tantas, quase sempre.

Lembro, se me lembro. Passavas todas as noites à porta de casa da minha mãe, embrulhado num sobretudo preto que contrastava com a palidez da tua pele e fazia sobressair uns lábios sorridentes do teu rosto meio coberto por uns caracóis negros.

Conhecemo-nos numa daquelas noites frias de Outono, no lugar onde costumávamos ir beber café e lá estavas tu, vestido de preto no teu caminhar sereno como serena era a tua figura. Cruzámo-nos por entre os passos que íamos dando lentamente, o nosso olhar tocou-se com embaraço e sorrimos numa ingenuidade aparente, revelando os nossos nomes um ao outro.

Víamo-nos sempre, casualmente, no mesmo sítio e nas mesmas noites de fim de semana, por volta da mesma hora. Sem encontro marcado, lá estava eu no bar e tu aparecias alegre, sempre alegre, pelo meio das gentes que riam e conversavam descontraidamente.

E surgia o abraço. Era inevitável. Sempre o abraço, o mesmo de todas as vezes, longo e apertado por entre beijos na testa, muitos beijos. Nos teus braços, sentia-me tão pequenina e confortada.

Lembro-me de nos perdermos nas palavras até ao amanhecer, sentados lado a lado nas escadas do beco junto à entrada do bar, unidos por gestos de cumplicidade. Partilhámos momentos, sentimentos, falámos das nossas perdas e das nossas conquistas, rimos e chorámos juntos.

Uma noite, levaste-me a casa da tua mãe. Era tarde, fomos pelo quintal, abriste a porta das traseiras e quando entrei fechei os olhos com força, absorvi o aroma que rastejava pelos móveis e pelas paredes e exclamei num sorriso: cheira à casa da minha mãe.

Sentados na tua sala, frente a frente, debatemos o mistério da vida e a nossa crença no destino. Entrámos no mundo das adivinhas, discutimos  existências anteriores, contaste-me as experiências que viveste com o teu baralho de tarô, aquele que um dia acabaste por me oferecer. Tenho-o guardado no baú das minhas melhores memórias, permanece dentro da caixinha de cartão reciclado. Sabes? A caixinha tem o mesmo cheiro daquela noite em que a trouxeste escondida na mão, atrás das costas, para me dares como prenda de aniversário. E o bilhete, o que me deixaste, permanece de lacre aberto sobre as cartas que um dia foram tuas.

Lembras-te da história dos cigarros no teu cinzeiro e do segredo em seu redor? Nunca poderia contar aqui essa história, é tão nossa que ninguém pode saber, ninguém pode escutar.

Quase nos perdemos na palavra amar mas venceu a amizade que conseguimos solidificar e, como me disseste um dia, nunca poderíamos ser amantes porque o nosso encontro aconteceu em época incerta. Se tivesse sido um pouco antes ou um tanto depois, teríamos ficado juntos para sempre. Acredito que sim, se acredito.

Depois da nossa despedida na festa do vale, em que assistimos ao nascer do sol e dançámos até o sono chegar, não voltámos a ver-nos até hoje. Partiste para a cidade do amor e nunca mais voltaste. Tornámos a falar após alguns anos, depois de termos perdido o contacto por infortúnio do destino.

Mas as nossas conversas à distancia ajudaram-nos a recuperar os anos que ficaram para trás. Esquecemo-nos dos relógios, chegámos a falar horas a fio, mais pareciam confissões de dois adolescentes que mantêm a cumplicidade, extrema e inabalável. Houve alturas em que parecíamos dois verdadeiros poetas, as palavras saíam-nos em verso e as declarações de saudade transformavam-se num autêntico poema. As tuas confissões alojaram-se na minha alma e ergueram-se num eco que, de quando em vez, vai e vem: se passei noites contigo foi porque te escolhi, contigo saboreio as palavras e os sentidos e dá-me vontade de guardar-te no colo.
Encontramo-nos na praia?, dizíamos a cada despedida como se o destino nos levasse a outra vida e o nosso adormecer fosse um ponto de partida para um encontro apenas meu e teu. Como tu próprio pediste, entre a areia e o mar.

 

 

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Viagem de memórias

wallpaper-895254(1).jpg

 (imagem retirada de: google imagens ) 

 

Encontrei-te na outra noite, trazias contigo aquele sorriso de criança e o olhar cândido que me fez prender a ti um dia. Não mudaste, continuas com esse teu ar de miúdo traquina, não consegui resistir a dizer-te que não envelheceste nem um pouco.

Ao olhar através do verde escuro dos teus olhos, vieram-me à lembrança recordações de nós, viajei nas melhores memórias que vivemos, embalei no tempo dos abraços e das mãos que se deram na mais bela história de um amor que não se repete.

Fomos felizes no tempo que foi nosso, arrecadámos para sempre as nossas horas que fizeram parar todos os relógios e nos deixaram ser nós mesmos. Deixámos guardadas na palma da mão as gotas da água cristalina dos rios derramados a nossos pés e elas não escorreram por entre os dedos, lembras-te? Ainda sinto na pele o aroma das marés que descobrimos, as correrias contra a demora nas areias, os passeios da sede de viver que saciámos no nosso deserto que, de ermo, se fez jardim.

Na outra noite revivi e renasci, atravessei o nosso mundo uma vez mais, encontrei-me ao encontrar-te a ti, abracei a árvore que plantámos e onde ficaram escritos os nossos nomes. Nem os anos, nem o sol e a chuva os abalou, ainda sinto os beijos que nós demos e, no momento em que te lembro, consigo vê-los baloiçar sob os ramos.

Quis repetir o que ficou para trás, abri o baú das nossas vidas e dancei contigo na urgência de te ter e foi tanto o quanto te quis que escutei, por entre lágrimas e sorrisos de saudade, os solos de guitarra que só tu sabes tocar. Fui buscar os segredos que ficaram presos à raiz da nossa história, percorri as viagens que fizemos de aventura às costas, passei nas estações de comboio onde parámos de corpos a cheirar a liberdade, sustive-me nos lugares onde ficámos perdidos na nossa essência de amar.

E ondulei na pele do teu rosto, senti os teus lábios nos meus cabelos, a nossa respiração tocou-se por entre a luz e a sombra das noites e fomos nós. E voltei a amar-te como nunca mais amei ninguém.

E eu quis que o tempo fosse todo nosso, quis tanto que parasse ao murmúrio da nossa voz e ao eco do silêncio dos sorrisos que são só meus e teus e quis, avidamente, que o mundo se calasse ao nosso abraço.

 

 Ao J. com carinho

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

De volta... quase!


 

Saudades... tantas!

De escrever, de vos ler, de partilhar emoções, de ficar aqui.

Mas estou quase de volta!

Só preciso de mais um tempinho, aquele que se foi esgotando ao longo destes dois últimos meses. A minha ausência foi por motivos de força maior.

Prometo responder aos comentários que tão carinhosamente me deixaram.

Estiveram sempre na minha alma...

 

 

Um abraço... de coração...

 

 

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Carta a quem não lê

 

'Querido Duarte,

 

Sei que não me lês, sei que não entras no meu espaço.

Por isso confesso que não te esqueci, amor da minha vida presente.

Declaro aqui, neste meu mundo, que és tu que existes em cada momento imaginário do meu dia a dia.

Às vezes, vejo-te passar. Finjo que ignoro a tua presença, finjo que me és indiferente, mas és tu quem faz parte dos meus sonhos.

Sei que o tempo vai passar e nada vai mudar. Sabes, meu amor, bastava-me aquela conversa que nunca tivemos e sinto que jamais teremos. Mas as palavras permanecem guardadas num cantinho de mim, à espera do momento em que possa proferi-las.

 

 Embarquei no rio das lágrimas que derramei por ti e naveguei na imensidão do sentimento que te sustenho. Desaguei na ternura que me agarra a ti e naufraguei na perda deste amor ausente.

Podia cair uma estrela, que eu estaria aqui para contigo poder abraçá-la. Podia abater o sol, que eu estaria aqui para contigo sentir o seu ardor. Podia ruir a terra, que eu estaria aqui para contigo construir um mundo novo. Podia acabar tudo o que existe que eu estaria aqui, à tua espera.

 

Nunca saberás o meu verdadeiro sentimento, aquele que nutro por ti. Resta-me esperar que o tempo permita que me liberte de ti, um dia.

Mais ninguém conseguirá preencher o lugar que te pertence.

Adoro-te a ti.

 

Tua até sempre

 

Laura'

 

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Obrigada a todos

 

Quero agradecer aos amigos mais queridos que tenho aqui na blogosfera a força que me têm transmitido nesta fase menos boa da minha vida.

Um agradecimento especial ao meu muito querido amigo José A pelo mimo que me deixou extremamente comovida e à querida amiga Flordeliz pelo post que me dedicou. Conseguiram colocar no meu rosto um sorriso de mil cores.

Não tenho palavras para agradecer todo o carinho e apoio que fizeram chegar até mim. Obrigada pelas palavras de conforto que me têm deixado.

Maria das Quimeras Sindarin Gota de Orvalho. Como retribuir-vos a amizade demonstrada? Terem entrado na minha vida foi algo maravilhoso que me aconteceu. Estou-vos imensamente grata.

De salientar o afecto sempre presente da minha muito querida amiga Ónix e do meu grande amigo Segredo que tem estado ausente por aqui, mas nunca se esquece de mim.

Em nome do meu amigo que se encontra hospitalizado em estado grave, um agradecimento imenso pelo apoio transmitido por parte de todos os amigos que acima mencionei bem como a Idalina, Jo e Sonhandoaosquarenta.

Estão todos na minha alma.

Aproveito para referir o prémio que a Green.eyesme ofereceu e ainda não tive oportunidade de agradecer.

Obrigada também a quem vai passando no meu cantinho e me vai deixando uma palavra de apreço. Desculpem se não vos menciono a todos.

 

Bem hajam. Adoro-vos!

por Leonor Teixeira

(a Ametista)

Volta depressa para nós

 

Perdeste-te nos dias e ficaste do outro lado da vida. Não sei se voltas.

Fico deste lado entre lágrimas e sorrisos. São lembranças dos tempos de outrora que não se repetem. Passam os anos, separam-se as gentes da terra que nos viu crescer.

Onde ficámos nós? Afectos conquistados, laços construídos, momentos partilhados deixados para trás. Abro o álbum de fotografias e sinto uma angústia quase insuportável. As lágrimas caem e a alma dói. São vidas separadas por um destino incerto, viagens marcadas para lugares diferentes.

E choro. Choro por ti e por quem te guarda no coração. Choro, porque não consigo alcançar um sinal de esperança. E morrem os dias na agonia de nada poder fazer.

Tens de voltar, tens de viver. Há tanto que ainda tens por sonhar.

Espero o teu regresso, acendo uma vela e rezo por ti. Nas minhas preces reclamo o teu nome, imploro a tua vida.

 

 

a um amigo



por Leonor Teixeira

(a Ametista)

por: Leonor T, a Ametista

img1514942427922(1).jpgo outro lado do sótão

queres entrar?

comentários arrecadados

  • Ametista

  • Ametista

    Verdade... memórias que já não voltam Beijinho

  • Anónimo

    Palavras muito bem escritas, como sempre. Adorei. ...

  • Anónimo

    Ao ler-te, chorei...não consigo escrever mais nada...

  • Happy

    A saudade de pessoas a quem queremos ou quisemos b...

esconderijos do sótão

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

os meus livros

ametistaleonor

ametistaleonor

IMG_20151228_150612.JPG

a posição d'o sótão